Onde estão os intercessores desse tempo?


Luciano Motta

"Busquei entre eles um homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse, mas a ninguém achei" (Ezequiel 22.30).

O capítulo 22 de Ezequiel é o retrato de um período triste na história de Israel. O povo estava entregue ao pecado e à idolatria. Não havia temor ao Senhor, nem entre os sacerdotes! Não havia quem se pusesse no lugar daquele povo em trevas e clamasse a Deus pelo seu perdão e redenção.

Aquela realidade se encaixa perfeitamente aos nossos dias. Tantas pessoas têm idolatrado os prazeres materiais! Tantas igrejas têm se voltado para seus impérios particulares, se esquecendo do Evangelho do Reino! A sociedade cresce em corrupção e em desprezo pelos valores de Deus. Quem, pois, se colocará na brecha em favor da nossa nação? Onde estão os intercessores desse tempo?

"Orai também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo..." (Colossenses 4.3).

A porta da Palavra está fechada em muitos lugares e só irá se abrir pela oração de intercessão.

* Este estudo é parte da série: Colossenses 3 e 4.
Leia também: Busca, Morte, Ministério [Parte I] e [Parte II]

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postado por Luciano Motta | 25 julho 2008 22:37 |



Ministério

Parte II

Luciano Motta

"Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras" (Colossenses 4.17).


Cumprir o ministério de Deus para as nossas vidas não é nada fácil. São muitas as investidas do inferno para nos deter. Ministério é estar na linha de frente da batalha. Por isso, muitos cristãos têm preferido a tranqüilidade dos domingos à noite, no templo, sentados em suas "cadeiras cativas". Tem muita gente indo para Társis, para bem longe da vontade de Deus (ver Jonas 1.1-3).

Paulo, em defesa de seu apostolado, conta aos cristãos da igreja de Corinto um pouco de sua experiência como ministro de Deus:

"São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas." (2 Coríntios 11.23-28)

Sublinhei algumas palavras acima para nossa reflexão:

"Trabalhos" - É óbvio que ministério dá trabalho. Quem não abre mão de si mesmo, da sua comodidade, não pode estar no ministério - e mal sabe o que está perdendo! Servir é essência do Evangelho. Se você estiver firme com Deus, buscando Dele a direção e a capacitação, é verdade que haverá cansaço e esforço, mas sua mente e espírito estarão vibrando e glorificando a Deus pela forma tremenda como Ele trabalhou através de você! Quer recompensa maior do que ser um instrumento nas mãos de Deus?

"Açoites" - Acusações, traições, comparações, indiferença... Existem muitas coisas que ferem o nosso coração no ministério. Sentimos quase que literalmente um corte em nosso ser; às vezes, nossa alma é rasgada! O apóstolo Paulo afirma que judeus o açoitaram. Veja bem: irmãos, pessoas próximas, podem te ferir com palavras e atitudes. Vão dizer que você está jogando a vida fora, que é louco! Vão te julgar e te condenar por estar na contramão da sociedade. Vão trair a sua confiança em algum momento de provação. É duro, eu sei, mas é a realidade. As relações humanas são complexas, ocorrem dores. No ministério essas coisas se acentuam. O inferno trabalha forte para desunir e desanimar. Mas em Deus você consegue resistir! Quando vier a dor e você fechar seus olhos, ou mesmo chorar, pense na cruz, pense em Jesus. Ele fez muito mais por você e, creia, não te dará prova maior do que você possa suportar.

"Prisões" - Existem momentos em que nos sentimos como que lançados em uma cadeia. As coisas param, os projetos não andam, a equipe fica como que paralisada. Existem também as cadeias da alma, dos sentimentos, da rejeição, das perdas. É como a travessia de um vale escuro. Porém, creia, a saída está logo adiante. Como no poema a seguir, baseado em Atos 16.20-31:
Perto da meia-noite.
Cela sombria, suja, abafada.
Cárcere interior.
Dois homens.
Rasgados.
Inchados.
Latejantes.
Marcas profundas.
Varadas nas costas.
Feridas abertas.
Vergões.
Insetos.
Incômodos.
Espasmos.
Pés encerrados no tronco.
Bocas salgadas, empapadas.
Suor que arde os roxidões.
Estômagos desidratados, apertados, retorcidos.

Quase meia-noite.
Olhares se entrecruzam, se fecham, se elevam.
Sons da alma, canção de amor.
Dois adoradores.
Rasgados de si mesmos.
Inchados de paixão.
Latejantes de motivação.
Suplantam as dores.
Vencem os odores.
Emudecem o lamento.
Superam o momento.
Sobem aos céus e perfumam a Sala do Trono.

Não é mais meia-noite.
Amor extraordinário, ágape, sobrenatural.
Explosão invisível.
Graça.
Compaixão.
Treme a terra.
Move o cárcere.
Abre as portas.
Despedaça a prisão.
Acalma o desesperado.
Salva o perdido.
Paulo e Silas sofreram muito naquela prisão por causa do ministério. Mas, no fim, Deus agiu de forma sobrenatural. Se você se sente preso de alguma forma, seja qual for a razão, eleve seus pensamentos ao Pai e louve, adore, entregue-se totalmente a Ele. Você verá a mão do Senhor se movendo em teu favor.

"Sofri naufrágio" - Quem nunca fracassou na vida ou no ministério? É possível que o naufrágio aconteça por causa de outras pessoas ou de fatores fora de nosso alcance. Mas, convenhamos, na maioria das vezes, somos os únicos responsáveis pelos nossos fracassos. O Espírito Santo trabalha conosco, mas quantas vezes o deixamos de lado e seguimos nossos próprios conceitos e idéias! Veja bem: uma coisa é levar um tombo, tropeçar, ok, você não viu a pedra no caminho. Outra coisa é ser avisado - e aí vem a obra do Espírito Santo, que fala ao seu coração e à sua mente, que usa a vida de alguém, seu pastor, um líder, um amigo. Isso é tropeçar na pedra e se ferir por vontade própria. Isso é navegar por tempestades apesar de previamente instruído. Graças a Deus que Nele temos uma segunda chance! Levante-se do lugar onde afundou, aprenda com seus erros e comece de novo. Ouça, desta vez, o Espírito Santo.

"Perigos" - Todo ministro enfrenta ataques do inimigo. O diabo e a nossa carne estão em aliança. Precisamos vigiar e não sucumbir às tentações que se nos apresentam. Dentre os perigos vividos por Paulo, há os "de salteadores" - o diabo é o ladrão que vem para roubar, matar e destruir. Além dos desejos da carne, ele usa as situações adversas, os açoites, como os que vimos acima, para nos empurrar para o pecado e acabar com o ministério que Deus tem nos dado. É fundamental "buscar as coisas que são de cima" e "pensar nas coisas que são de cima", orar e vigiar. Santidade é pré-requisito para um ministro vencedor.

"O cuidado" - Ministério é cuidar, é amparar, é ser responsável pelas vidas da equipe onde se está. Não importa a posição, seja líder ou não, todos devemos perceber as necessidades à nossa volta, agindo como agentes de restauração e apoio. Precisamos cobrir uns aos outros em intercessão; levar as cargas uns dos outros em amor.

* Este estudo é parte da série: Colossenses 3 e 4.
Leia também: Busca, Morte e Ministério [Parte I]

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postado por Luciano Motta | 09 abril 2008 11:42 |


Caráter

Parte I
Luciano Motta

"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados..." (Colossenses 3.12).

Vimos no começo do estudo de Colossenses que devemos, como servos de Deus, buscar e pensar nas coisas que são de cima (3.1-2) e fazer morrer a nossa velha natureza, terrena e carnal (3.3-10) - para essas coisas, não há distinção de credo, raça ou posição social (3.11). Então, o apóstolo Paulo começa a enumerar uma série de qualidades inerentes ao caráter cristão. Por meio delas, vencemos as batalhas contra a carne e contra o pecado e nos aperfeiçoamos à imagem e semelhança de Jesus.

No entanto, essas qualidades pressupõem uma compreensão sólida de quem somos em Deus: eleitos, santos e amados. Antes de nos revestirmos de compaixão ou de humildade, dentre outras coisas, é importante sabermos que o Pai tem um propósito para cada um de nós.

1- Somos chamados: Pensar em eleição é pensar em uma função, uma atribuição. Deus nos elegeu para cumprirmos a Sua vontade, para desempenharmos um papel no Reino. Existe uma obra reservada para cada um de Seus servos, um chamado específico. Moisés não foi o mesmo depois da sarça ardente (Êxodo 3); Davi não foi o mesmo depois de vencer o gigante (1 Samuel 17); Isaías foi transformado depois que a brasa viva tocou-lhe os lábios (Isaías 6); Paulo foi outro homem depois de encontrar Jesus e ficar cego no caminho para Damasco (Atos 9). Veja que esses e outros personagens bíblicos, que viveram seus chamados, tiveram no princípio grandes experiências, momentos de vislumbre do sobrenatural de Deus que marcaram suas vidas. Precisamos disso - é uma questão de sobrevivência! Do contrário, como vamos experimentar a plenitude de nosso chamado?

2- Somos separados: Santo significa separado para Deus. Quando recebemos Jesus como Senhor e Salvador, começou em nós um processo de santificação - fomos separados do sistema deste mundo e transportados para uma vida de glória em glória, de crescimento, de fortalecimento espiritual (Colossenses 1.9-14). "Sem a santificação ninguém verá o Senhor" (Hebreus 12.14). Se não abandonarmos o pecado, a velha vida, como experimentaremos o sobrenatural de Deus em nós? Como o mundo verá que somos diferentes? Como verão a glória de Deus brilhando em nosso rosto?

3- Somos amados: Só temos um chamado porque fomos separados; só somos separados por causa do amor de Deus em nós! Esse amor é a base de tudo, é algo que só precisamos receber, pois foi derramado em nossos corações desde a fundação do mundo. O amor de Deus é a força que nos move, que nos faz viver. Sem ele, o que seria de nós? Esse amor perdoa, doa, abre mão, sofre, espera, suporta, confia, une. Tudo isso o Pai tem feito por nós a cada dia; o que temos feito em resposta a todo esse amor? Será que ainda permitimos que outras coisas preencham a nossa existência? Nada é maior do que o amor de Deus e nada pode nos separar dele (Romanos 8.35-39).

Você é eleito, escolhido para um propósito no Reino. Você é separado para a glória de Deus, para uma vida de intimidade com o Pai. Você é amado. Todo filho de Deus deve compreender e aplicar esses princípios em suas vidas, a fim de desfrutar da vida abundante e refletir o caráter de Cristo.

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Efésios 1.3-4).

* Este estudo é parte da série: Colossenses 3 e 4.
Leia também: Busca, Morte, Ministério [Parte I] e Ministério [Parte II]

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postado por Luciano Motta | 09 janeiro 2008 15:00 |


Ministério

Parte I
Luciano Motta

"Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras" (Colossenses 4.17).

O capítulo final do livro de Colossenses, a partir do verso 7, pode ser uma leitura um tanto tediosa ou dispersiva, se você a fizer sem prestar atenção no que está escrito ali. Mais do que palavras de saudação ou instruções aos irmãos, Paulo cita homens como você e eu, que perseveraram na fé e foram usados poderosamente por Deus naqueles dias. Vamos aprender com eles sobre o que é "Ministério":

"TÍQUICO, irmão amado e fiel ministro, e conservo no SENHOR, vos fará saber o meu estado; o qual vos enviei para o mesmo fim, para que saiba do vosso estado e console os vossos corações" (4.7,8)

Tíquico acompanhou o apóstolo durante algum tempo, desde a Macedônia a Jerusalém (At 20.15,38). Esteve em Roma com Paulo, achando-se este na prisão. A linguagem destes versículos leva-nos, naturalmente, à suposição de que Tíquico e também Onésimo foram os portadores da epístola aos Colossenses. As palavras que se lêem em Ef 6.21,22 dão-nos a idéia de que ele, na mesma viagem, levou a epístola aos Efésios, a qual foi uma espécie de carta circular dirigida às igrejas da Ásia. Quando Paulo escreveu a epístola a Tito (3.12), estava ele já, segundo parece, com o apóstolo em Nicópolis (provavelmente em Epiro) e a ponto de ser mandado à Creta.

Tíquico é mencionado também em 2 Timóteo 4.12, epístola escrita por Paulo em Roma durante o segundo encarceramento. Andou, evidentemente, associado com o grande apóstolo em alguns dos mais críticos episódios de sua vida, pois é chamado de "amado" e "fiel ministro"; alguém capaz de "consolar".

Ministério é amar e ser fiel, não importando as circunstâncias; é dar o ombro e chorar com os que choram; é ser amigo e ter atitudes que visem a comunhão com os outros.

"Juntamente com ONÉSIMO, amado e fiel irmão, que é dos vossos; eles vos farão saber tudo o que por aqui se passa" (4.9)

Este nome significa "Proveitoso". Onésimo foi um escravo de Colossos, que fugiu da casa do seu senhor, que era cristão. Indo para Roma, foi convertido ao Cristianismo por Paulo. Depois da sua conversão, Onésimo voltou para seu amo, chamado Filemom, levando uma carta de Paulo.

Ministério é perdoar e pedir perdão; é "aproveitar" as oportunidades de crescimento geradas pela obediência e submissão; é prestar contas aos seus líderes.

"ARISTARCO, que está preso comigo, vos saúda..." (4.10)

Judeu de Tessalônica e companheiro de viagem de Paulo, pela primeira vez mencionado em Atos como tendo sido arrebatado pelo povo no tumulto de Éfeso (At 19.29). Foi um dos delegados daquelas igrejas que contribuíram ‘para os santos’ de Jerusalém, e acompanhou a esta cidade o apóstolo Paulo na sua terceira viagem missionária (At 20.4 - veja 1 Co 16.1 a 4 - e 2 Co 8.9).

Navegou com Paulo desde Cesaréia à Roma (At 27.2) e estava com o apóstolo quando este escreveu dali a Filemom e à igreja de Colossos, falando de Aristarco como seu cooperador, bom amigo, e ainda como seu companheiro de prisão (Fm 24). Podemos supor que os companheiros de Paulo se revezavam em compartilhar voluntariamente do seu cativeiro, pois na epístola a Filemom (23, 24) somente Epafras é indicado como companheiro de prisão e na epístola aos Colossenses somente Aristarco.

Ministério é caminhar junto com o líder e com a equipe; é abraçar a visão e os sonhos que Deus esteja gerando.

"...e MARCOS, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o" (4.10)

Marcos era judeu e tinha tomado um nome romano, achando-se identificado com ‘João, cognominado Marcos’ (At 12.12,25) - era sobrinho (primo?) de Barnabé e filho de Maria, que residia em Jerusalém (At 12.12). Marcos foi, provavelmente, convertido à fé cristã pelo ministério de Pedro (1 Pe 5.13), que costumava freqüentar a casa de sua mãe (At 12.12). Ele acompanhou, desde Jerusalém até Antioquia, a Paulo e Barnabé (At 12.25), e dai partiu com eles para uma viagem missionária - mas deixou-os antes de a completarem (At 13.5,13). Seis anos depois deste acontecimento não quis Paulo levá-lo consigo em outra viagem - e então Marcos acompanhou Barnabé à Chipre (At 15.38,39). Todavia, quando Paulo estava preso em Roma, era já Marcos considerado um auxiliador dele e é mencionado de uma maneira que bem mostra que ele tinha reconquistado a estima do apóstolo (Cl 4.10 - 2 Tm 4.11 - Fm 24).

Ministério é dar uma segunda chance a si mesmo e ao outro, pois todos somos falhos; Deus é poderoso para nos transformar e nos levantar de novo.

"E JESUS, chamado Justo; os quais são da circuncisão; são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação" (4.11)

Jesus significa "Salvador" - é a forma grega do nome Josué, o filho de Num. Também em Atos 7.45 (e Hb 4.8) escreve Paulo afetuosamente de ‘Jesus, conhecido por Justo’. Este Jesus, um cristão, foi um dos cooperadores do apóstolo em Roma, e bastante o animou nas suas provações.

Ministério é ter uma vida de justiça e santidade, de modo que as pessoas vejam o seu testemunho e glorifiquem a Deus.

"Saúda-vos EPAFRAS, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus. Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e pelos que estão em Hierápolis" (4.12,13)

Cristão, natural de Colossos, e fundador da igreja colossense (Cl 4.12 - e l.7). Paulo lhe chama ‘amado conservo...e fiel ministro de Cristo’ (Cl 1.7), e honra-o com aquele título que em outro lugar reservou somente para si e Timóteo, isto é, o de ‘servo de Jesus Cristo’ (Cl 4.12). Tinha ido a Roma com o fim de levar a Paulo notícias a respeito dos seus convertidos, sendo a epístola aos Colossenses a resposta ‘aos santos e fiéis irmãos em Cristo, que se encontram em Colossos’ (Cl 1.2). Aparentemente estava ele preso junto com o Apóstolo Paulo, embora possa ser figurada a expressão ‘prisioneiro comigo, em Cristo Jesus’ (Fm 23).

Ministério é combater; é guerrear nas regiões celestes através de constante intercessão pelo líder e pela equipe; é se colocar na brecha e clamar a Deus por força, unidade e unção.

"Saúda-vos LUCAS, o médico amado..." (4.14)

Lucas foi o companheiro de Paulo e, segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o Evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Atos dos Apóstolos. Ele é mencionado somente três vezes pelo seu nome no N.T. (Cl 4.14 - 2 Tm 4.11 - Fm 24). Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns julgado que ele foi do número dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10.1) - outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12.20) - e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm querido identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13.1). Dois dos Pais da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4.11). Era médico (Cl 4.14). Ele não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1.2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo. Todavia, muito se pode inferir do emprego do pronome da primeira pessoa na linguagem dos Atos.

Parece que Lucas se ajuntou a Paulo em Trôade (At 16.10), e foi com ele até à Macedônia - depois viajou com o mesmo apóstolo até Filipos, ficando provavelmente ali por certo tempo (At 17.1). Uns sete anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente com ele (At 20.5). Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2 Co 8.18, o intervalo devia ter sido preenchido com o ativo ministério. Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21.18) e com ele fez viagem para Roma (At 21.1). E nesta cidade esteve com o apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4.14 - Fm 24) - e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2 Tm 4.11). Uma tradição cristã apresenta como pregando o Evangelho no sul da Europa, encontrando na Grécia a morte de um mártir.

Ministério é compartilhar aos outros de Cristo; é anunciar até a morte as virtudes Daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

"...e DEMAS" (4.14)

Do grego, uma abreviatura de Demétrio (popular): 1- Fabricante de pequenas relíquias de Diana, em Éfeso, representando provavelmente a deusa colocada dentro de um nicho de prata. Era costume essas relíquias com a imagem de Diana serem trazidas pelas pessoas, ou postas nas casas, servindo de amuletos ou de sortilégios. Eram facilmente compradas pelos que visitavam o famoso templo. Demétrio foi causador de uma grande gritaria contra Paulo, quando este apóstolo pregou o Evangelho em Éfeso - Demétrio pensava, com razão, que com essas doutrinas da religião cristã corria perigo o negócio de fazer representações da deusa (At 19.24). 2- Um convertido de quem João faz o elogio, e que vivia em Éfeso, ou perto desta cidade (3 Jo 12).

Ministério é abandonar completamente as obras mortas e viver a nova vida de Cristo.

"E dizei a ARQUIPO: Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras" (4.17)

Arquipo não estava em Colossos, mas como ministro da igreja na casa de Filemon (Filemom 2). Ele estava, todavia, suficientemente próximo para que lhe entregassem uma mensagem.

Nós, também, como Arquipo, não tivemos a oportunidade de estarmos próximos de Paulo, mas recebemos estas instruções hoje pela Palavra de Deus. Somos exortados pelos exemplos de vida destes irmãos a perseverarmos, a enfrentarmos todas as oposições, a nunca deixarmos de olhar para o Autor e Consumador da nossa fé: Jesus!

Ministério é serviço. Um servo segue as ordens de seu senhor. Nós seguimos às ordens de Cristo, o nosso Rei. Temos um chamado. Todos temos parte no Corpo - isso nos demanda responsabilidade e entrega. E qual é o propósito de todo este serviço? Ana Paula Valadão nos diz algo muito precioso em seu blog:
"...uma palavra sobre o chamado. Sobre o motivo pra viver e fazer o que fazemos. "Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer" (João 17:4). Essa afirmação de Jesus deve, e será, a minha também. E cada cristão precisa buscar cumprir esta obra para a qual foi enviado a este mundo. Cumpri-la cabalmente trará glória ao nosso Deus e Pai.

E é por esta causa que renuncio a outras opções de vida. É por isso que não posso negociar ou comprometer o meu chamado. Eu estou disposta a cumpri-lo, ainda que me custe a reputação, pois muitas pessoas podem não entender algumas atitudes (...)"

Tudo o que somos e o que fazemos é para a glória de Deus! Nosso ministério é para a glória de Deus! É um grande privilégio ser chamado por Ele para servi-Lo, doando o nosso tempo, usando nossos talentos e dons, sacrificando um pouco de nós mesmos pelo Reino.

Atenta para o seu ministério. É uma jóia de Deus sob os seus cuidados. Cumpra o que Ele determinou para você fazer e faça com excelência. Cuide das coisas de Deus e Ele cuidará de tudo para você.

* Fonte de pesquisa: Dicionário Bíblico - BibliaOnLine.net.

* Este estudo é parte da série: Colossenses 3 e 4. Leia também: Busca e Morte.

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postado por Luciano Motta | 15 outubro 2007 18:59 |


Morte


Luciano Motta

"Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Colossenses 3.3).

Observe esta expressão: Já estais mortos. Um morto não reage, não sente vontade, não imagina. Parece óbvio, mas muitas vezes nosso comportamento diante do pecado é de alguém vivo, bastante vivo! Se, quando confrontados, nosso primeiro ato é revidar; se palavras mentirosas "escapolem" de nossos lábios; se ainda nos sentimos inclinados a praticar (ou mesmo a pensar) coisas que não agradam a Deus, é porque, de fato, não morremos definitivamente para o pecado.

Ok, é verdade que somos humanos, somos falhos, mas não podemos nos acomodar nisso, nem fazer disso uma desculpa constante para justificarmos nossos erros. Somos exortados pela Palavra a reagirmos e a buscarmos a perfeição em Cristo através da santificação. Assim, pela morte da nossa vontade, poderemos cumprir de forma plena a vontade de Deus; pela nossa separação do mundo, poderemos fazer grandes coisas para a glória de Deus. Assim como Jesus:

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome" (Filipenses 2.5-9)

Aleluia! Jesus é o nosso referencial e deixou para nós o caminho da santificação: Por amor (sentimento), abriu mão de si mesmo, de suas vontades, posição e capacidades (se esvaziou), permitiu ser exposto, caluniado e até mesmo ferido, injustamente, sem retrucar (se humilhou), submeteu-se à vontade do Pai e às autoridades constituídas (obedediente) e entregou a sua vida para cumprir sua missão (morte). Veja que são etapas: para morrer é preciso obedecer; para obedecer é preciso se humilhar; para se humilhar é preciso se esvaziar; e para se esvaziar é preciso amar.

"Mortificai, pois, os vossos membros" (3.5)

Você tem que morrer! É isso o que diz esta Palavra. O apóstolo Paulo enumera algumas práticas e desejos carnais que devemos literalmente matar em nós mesmos. Estão nos versos 5 ao 9:

* Prostituição (vida desregrada e corrompida, libertinagem, depravação) - Sem dúvida, esta é a principal arma do diabo em nossos dias, presente na TV, nos filmes e na internet. O que você tem visto?

* Impureza (algo contaminado, imundo, que perturba a pureza).

* Paixão (vício dominador, compulsões).

* Vil concupiscência (desejos ardentes e maus de bens ou gozos materiais e sexuais).

* Avareza (idolatria/apego excessivo ao dinheiro) - Você tem sido um dizimista fiel? Você tem sido liberal em dar e ofertar para o Senhor?

* Ira (desejo de vingança).

* Cólera (irritação violenta, furor).

* Malícia (má índole, esperteza, malandragem).

* Maledicência (falar mal, difamar, murmurar).

* Palavras torpes (palavras vergonhosas, repugnantes).

* Mentira (afirmação contrária à verdade, falsidade, indução em erro).

Estas coisas não podem ser práticas em nossas vidas! O velho homem deve morrer completamente! Em Cristo, fomos feitos novas criaturas, "vestidos do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou" (3.10). E se pecarmos, o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. Ou seja: escondidos com Cristo em Deus (3.3), somos limpos de todo mal, renovados pela graça e apurados pela Palavra de Deus, para seguirmos adiante.

ATENÇÃO: Vigie, pois é possível estar escondido do mundo sem Cristo, pelo engano da religiosidade. O diabo tem feito muitos filhos de Deus caírem, por pensarem estar agradando a Deus e não perceberem que, na verdade, alimentam seu próprio orgulho. As regras e procedimentos destes não têm valor algum contra a satisfação da carne (leia 2.20-23).

"E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão" (Mateus 6.5)

Muitos acreditam serem mais santos do que os outros. Para estes, o tempo de vida cristã é um atestado de conhecimento e maturidade espirituais. Não recebem uma palavra ou conselho de gente mais nova na fé. Acham que já sabem o suficiente a respeito de Deus e de Seu Reino. Não aceitam a repreensão de seus líderes ou mesmo a exortação de um irmão. Cuidado!

"Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente" (Mateus 6.6)

A missionária Heidi Baker certa vez disse que a porta de entrada para o lugar secreto é muito, muito baixa. Para entrar ali, é preciso diminuir, diminuir, diminuir... Quanto menor você fica para o mundo e para o pecado, maior você se torna diante de Deus, revestido de autoridade e poder, exaltado pelo Pai para realizar grandes obras em nome de Jesus!

Você tem percorrido o caminho da santificação? Tem deixado de lado suas opiniões pessoais e convicções, mesmo que coerentes aos seus próprios olhos, para obedecer, servir e se doar pelo chamado de Deus para a sua vida? Tem permitido que Deus use seus líderes, seus irmãos na fé ou mesmo seus inimigos para, como Jesus, se esvaziar? Tem feito morrer a sua carne pelo enchimento constante do Espírito? É o amor que move o seu coração?

Jesus é a nossa cobertura, o nosso esconderijo, o nosso lugar de refúgio na hora das tribulações e das tentações. Ele sempre buscava e pensava nas coisas que são de cima (3.1-2) e nós devemos fazer o mesmo. Peça perdão pelos seus pecados, seja lavado pelo sangue de Cristo, derrame-se na presença Dele! Permita-se ser tratado pelo Pai, reconhecendo sua fraqueza e dependência Dele. Morra! Entre no lugar secreto dia a dia, esconda-se em Cristo e, creia, grandes coisas Deus fará!

Em tempo, ainda sobre morrer para si mesmo: Alguns não morreram, só desmaiaram...

* Este estudo é parte da série: Colossenses 3 e 4. Em breve, publicaremos a continuação.
Leia: Busca.

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postado por Luciano Motta | 06 setembro 2007 10:29 |


Busca


Luciano Motta

Faz alguns anos que Deus me direcionou a estudar a Palavra no livro de Colossenses, capítulos 3 e 4. As circunstâncias na época foram de muitas lutas, muitas oposições, e não consegui desenvolver, nem em minha vida, nem no ministério, aquilo que Deus estava querendo ministrar. Este estudo acabou sendo deixado de lado.

Há poucos dias atrás, enquanto lia "O Campo de Batalha da Mente", de Joyce Meyer, uma palavra me saltou aos olhos: A mente de Cristo. E dentre as muitas passagens bíblicas relacionadas, havia uma que me despertou quanto ao estudo de Colossenses:

"...Buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra" (3.1-2).

Observe que há duas ordens aqui - "Buscai" e "Pensai" - ligadas às coisas de cima, do Céu. Pergunto a mim mesmo: O que tenho verdadeiramente buscado? Em que tenho verdadeiramente pensado? O que busco e o que penso são a minha prioridade e revelam a minha identidade.

Muitas coisas ruins batem à porta do nosso coração todos os dias - e algumas delas batem violentamente! Só não entrarão em nossas vidas se estivermos cheios de Deus, se estivermos cheios do Espírito Santo. Seremos vitoriosos ou não se estivermos buscando constantemente a presença do Pai, se nos aprofundarmos no estudo, na meditação e na aplicação às nossas vidas de Sua Palavra.

A posição que você e eu ocupamos hoje, seja em nossos ministérios na igreja, seja em nossos locais de trabalho, seja em nossos relacionamentos, depende exclusivamente da vontade de Deus. Por isso, seria muito inteligente de nossa parte estarmos ligados intimamente ao Senhor, buscando conhecer plenamente a Sua vontade para nós. A nuvem de Sua presença pode mudar de direção ou mesmo permanecer parada por tempo indeterminado e nós não percebermos isso. Então, corremos um grande risco: seguir com as nossas vidas sozinhos, sem a presença do Pai.

"[Jesus] é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque Nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele" (1.15-17).

Guarde isso: "todas as coisas subsistem por Ele". Você só está onde está porque é da vontade Dele. Busque a Deus para que não lhe suba à cabeça o engano de que está no controle de suas ações e planos. Em Cristo, você descobre dia a dia o propósito do Pai para a sua vida.

"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai" (Filipenses 4.8).

Nós temos "a mente de Cristo" (1 Coríntios 2.16). Joyce Meyer aponta algumas atitudes que nos levam a pensar nas coisas que são de cima: 1- Pense positivamente; 2- Tenha a mente de Deus: tenha comunhão com Ele, medite Nele e nas Suas obras; 3- Tenha a mente "Deus me ama": não tenha medo, tenha consciência da justiça, não do pecado; 4- Tenha uma mente exortativa, considerando que exortar é apresentar um novo curso de conduta, com um modo de ação diferente do que tem sido feito; 5- Desenvolva uma mente agradecida; 6- Tenha a mente da Palavra, meditando e praticando a Palavra de Deus no seu dia a dia.

O ministério que recebemos de Deus só frutifica se o executarmos sob a direção do Espírito Santo, fluindo na mente de Cristo, ocupando nossos pensamentos de coisas boas e vigiando para que o mal não entre, buscando a cada dia o pão fresco, alimento sólido e base da nossa fé. Não passe um dia sem orar. Não passe uma semana sem se prostrar diante de Deus. É uma questão de sobrevivência espiritual e vitória em todas as situações da vida.

* Este estudo é parte da série: Colossenses 3 e 4. Em breve, publicaremos a continuação.
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postado por Luciano Motta | 26 agosto 2007 14:00 |