Vigiai e orai
Luciano Motta
"Vigiai, pois, em todo o tempo, e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem" (Lucas 21.36).
No contexto desta Palavra, Jesus está falando dos últimos dias. Muitos virão em Seu nome, mas serão enganadores. Ouviremos de guerras e rumores de guerras. Veremos nação contra nação, reino contra reino, grandes terremotos, fomes, pestes, sinais no céu. Os que creem serão perseguidos, odiados por causa do Seu nome. Haverá grande angústia na terra. As próprias forças do céu serão abaladas. "Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade" (v.27).
As palavras de Jesus são imprescindíveis para o tempo que se chama HOJE. Não é verdade que as coisas descritas acima estão acontecendo agora mesmo e de forma cada vez mais acelerada?
São dias de batalha. Há uma guerra em andamento. Os valores do Reino estão sendo confrontados dia a dia, sem parar, sem descanso. É a tentativa desesperada do príncipe deste mundo de manter seu breve domínio. Ele sabe que seu tempo está por um fio. Por isso luta para derrubar aqueles que ainda zelam pelo nome do Senhor, pelo Evangelho do Reino.
O inimigo vence quando encontra uma igreja que não vigia. Podem até haver orações, mas não serão respondidas. A Palavra diz: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (Tiago 4.3). São orações vãs, desalinhadas da vontade de Deus. Jesus ensinou na oração modelo: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mateus 6.10). Uma igreja que ora apenas de sua perspectiva, de suas necessidades, será surpreendida no meio da guerra. Uma igreja que não sabe discernir os tempos estará esvaziada de sua relevância profética.
Mas o inimigo é ainda mais bem sucedido quando encontra uma igreja que não ora. Porque saber que Jesus vai voltar não é segredo. Conhecer a Bíblia, a teologia, é bom e importante. Mas nada substitui a oração. A igreja deveria ser uma casa de oração para todos os povos, mas não tem sido assim. Muitas igrejas são escolas de educação religiosa, que formam pessoas conhecedoras de religião, não de Deus. Tornam-se semelhantes aos fariseus - agentes fiscalizadores, legisladores, que anulam a graça e negam o poder.
As palavras de Jesus são, portanto, um grande alerta para a igreja HOJE: Vigiai e orai... para vos apresentardes de pé diante do Filho do Homem - um dia GRANDE para os que perseverarem e vencerem e TEMÍVEL para os ímpios. Precisamos de homens e mulheres como Simeão e Ana (Lucas 2.25-38) que esperavam com expectativa, vigilantes, a vinda do Messias, porém mantendo viva a chama da oração!
Há um grande exército sendo levantado por Deus, que atravessará esses dias de angústia nas nações portando o mesmo ardor que há no coração do Pai. Pessoas dispostas a morrer, a entregar tudo, radicais. Um exército composto de sentinelas, homens e mulheres que gastam suas vidas na torre de vigia e valorizam a oração. Esse exército resgatará essa dupla essência da igreja - vigilância e oração - com o mesmo zelo de Jesus: derrubarão as mesas dos cambistas da fé, chicotearão os que tem feito da casa de oração um lugar de comércio. Estão chegando dias bastante turbulentos na casa de Deus: o brado do Leão será ouvido, o brado de Sua santa convocação, o brado de Seu zelo pela Noiva.
Vigiai e orai... para vos apresentardes de pé diante do Filho do Homem naquele dia!
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 11 agosto 2011 08:50 |
Fé, aspirina e cartão de crédito
Luciano Motta
O que é a fé? A humanidade já produziu inúmeras definições e pensamentos a respeito. Ainda hoje a fé está em pauta. Aumenta a quantidade de livros e teorias que tentam desmistificá-la, descristianizá-la. Por outro lado, não se pode negar que é bem maior a proporção de publicações que a defendem e a exaltam neste mundo tão quebrado e sem esperança.Os dias que vivemos requerem dos que creem muito mais do que marchas, bandeiras e discursos bonitos. Na verdade, a fé não precisa de defesa retórica. Basta que alguém a pratique. A fé sem obras é morta tanto quanto a letra mata. Não tem valor algum saber definir a fé e saber comunicar a fé se não houver vida naquele que saiba defini-la e comunicá-la. O mundo quer a vida que advém da fé.
Uma das definições mais simples e significativas que ouvi a respeito da fé nos últimos anos é a seguinte: Fé é o mesmo que fidelidade. É ser fiel ao que se crê. É andar conforme se crê. É agir de acordo com o que se crê. Veja que é algo absolutamente prático. Nada de enfeites teóricos. Nada de sofismas ou achismos. Nada de propaganda enganosa.
Se como filhos de Deus, crentes em Jesus Cristo, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, então o que ela diz é verdade. Ponto. Fazemos da Palavra a nossa base de vida e tudo o que empreendemos depende dela. Se a Palavra diz que devemos orar, então oramos. Isso é bem prático. Se alguém que se diz crente em Jesus não ora, então não é fiel ao que crê. Sua fé é passível de questionamento. Como acreditar na fé de um crente que não ora? Como confiar em um líder que não tem vida de oração?
A Palavra testifica que curaríamos enfermos em nome de Jesus. Foi o Mestre quem disse isto em Marcos 16.18. Porém, com a mentalidade deste século, temos mais fé na aspirina do que nas palavras de Jesus. É aparentemente inofensivo não orar por uma dor de cabeça. Ora, é só uma dor de cabeça, toma uma aspirina que passa. Mas se não acreditamos na ação sobrenatural de Deus nas pequenas coisas, o que faremos quando diante de grandes dores e crises?
Se buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça todas as demais coisas nos serão acrescentadas. Você já leu isso na Bíblia. Também foi Jesus quem disse isso em Mateus 6.33. Acreditamos mesmo nisso? Ou será que não confiamos mais em nossos cartões de crédito?
Fazemos sem pestanejar parcelamentos de 10, 12, 24, 60 meses. Endividamo-nos por décadas com a Caixa Econômica para financiarmos um imóvel. Damos o dízimo da nossa renda para as Casas Bahia na compra de um sofá. Contudo, somos incapazes de dedicar parte de nossos bens para a obra missionária, ou de nos mantermos fiéis nos dízimos e nas ofertas para a manutenção de obreiros da congregação local. (E, por favor, deixe o "devorador" fora disso - o que devora as suas finanças é a sua própria compulsão pelo consumo. Pare de comprar o que não precisa. Organize seus gastos. Poupe. Doe.)
Confiamos na Caixa e no crédito, não em Deus. Quantas vezes gastamos e nos endividamos por não esperarmos a providência do Pai... e isso também se aprende nas pequenas coisas.
A verdade é que não estamos mais dando oportunidade para o agir de Deus. Confiamos nas possibilidades que esse mundo oferece, não nas impossibilidades da fé no Deus que tudo pode.
Veja bem: não é para desprezarmos os ganhos científicos e tecnológicos, nem considerarmos o cartão de crédito como algo maligno. O problema é confiarmos mais nessas coisas do que na ação de Deus. O problema é corrermos para a farmácia ao invés de primeiro impormos as mãos sobre o doente e orarmos por sua cura, ainda que doentes estejamos nós mesmos. O problema é fazermos uso de um cartão de plástico quando a comida acaba antes de esperamos a provisão do alto, Daquele que alimenta as aves do céu e tem maior prazer em cuidar daqueles que O amam e esperam Nele.
Fé é o mesmo que fidelidade. É hora de pararmos de fingir que cremos. Não ficaremos livres das dores de cabeça, nem deixaremos de comprar ou adquirir coisas, mas sem dúvida, como igreja, seremos mais felizes e coerentes com o que tanto cantamos e pregamos aos domingos.
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 12 julho 2011 01:05 |
Sobre as demandas e o Pão diário
Luciano Motta
Talvez nunca na história a humanidade tenha tantos recursos à sua disposição: materiais, tecnológicos e operacionais. Percorremos grandes distâncias em poucos minutos. Podemos nos comunicar de forma global e imediata. O mundo está menor - acontecimentos em lugares remotos são divulgados ao vivo. Temos tudo à mão, as coisas cada vez mais práticas, imediatas, instantâneas.
O resultado de tudo isso é um paradoxo: um permanente estado de necessidade nas pessoas. Há um vazio, uma carência contínua em todas as esferas sociais, culturais e também espirituais.
Sintoma dessa época: as pessoas andam cansadas. Demonstram e reclamam de um constante e inescapável estado de cansaço. Na verdade, trata-se de uma tristeza interior, um espírito enfadado pelas demandas. Muita movimentação, muitas prioridades, mas todo esse agito esconde uma procura, uma busca. E no fim do dia, aquela sensação de improdutividade, de ausência de significado, a imersão no sofá, a TV ligada sabe-se lá em quê, a alma cansada de tanto procurar e não encontrar.
Há uma só demanda realmente necessária. Jesus disse: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6.33).
Para se buscar o Reino é preciso antes conhecer o acesso a esse Reino, que é o próprio Jesus. Encontrar o Reino e a sua justiça depende de uma percepção que vem do relacionamento com Cristo. É imprescindível desenvolvermos uma vida de oração e comunhão com Ele e com Sua Palavra.
Jesus é o Pão Vivo que desceu do céu (João 6.51). Ele é a concretização do que houve com o povo de Israel no deserto: "Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não" (Êxodo 16.4).
Naquele contexto de deserto, de jornada, os hebreus precisavam buscar o pão todas as manhãs para sobreviverem. E só podiam recolher a porção do dia. Não podiam armazenar para o dia seguinte, senão estragava (Êxodo 16.19-20).
Assim também é hoje. Nossa principal demanda deve ser Jesus, o Pão da Vida. Precisamos buscá-Lo diariamente. Ele nutrirá as nossas vidas. E o que recebermos Dele hoje, o que nos alimentarmos Dele hoje, servirá para hoje. Amanhã devemos buscá-Lo de novo, pois há mais Dele, de Sua Vida, de Sua essência, para nutrirmos mais o nosso espírito e transformarmos a nossa alma. Do contrário, somos nós que estragamos.
É um engano acreditar que podemos ter uma boa vida, felizes e cheios da presença de Deus, somente com o que ouvimos no sermão de domingo ou com o louvor que entoamos uma vez por semana no culto. Quem assim o faz está certamente enlaçado às demandas diárias, às pressões cada vez mais intensas e frequentes deste mundo.
Buscar o Pão diário é uma questão de obediência. Crer que Jesus é suficiente para suprir as nossas necessidades, ainda que de forma incomum, como fazer cair pão do céu no meio de um deserto, é uma questão de descanso, de confiança. É crer realmente que "todas as demais coisas serão acrescentadas".
Que Cristo seja nossa maior e principal demanda! Que possamos obedecê-Lo e descansar Nele todos os dias. Esta é a fé que rompe com as imposições deste tempo e projeta a vida na certeza de que Ele é o Senhor.
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 26 maio 2011 12:08 |
Foco
Luciano Motta
Segundo o dicionário online Priberam, a palavra foco vem do latim (focus, -i) e significa "lar, lareira, braseiro, casa, chama, pira".Outros significados:
1. Ponto onde se concentram os raios luminosos que passam por uma superfície transparente.
2. Ponto de convergência ou de onde saem emanações. = CENTRO
3. Ponto ou lugar onde se concentram certos fatos ou fenômenos. = CENTRO, SEDE
4. Candeeiro que concentra a luz num feixe estreito e que se pode orientar em várias direções.
5. Ponto ou espaço onde se concentra um feixe de luz.
6. Lugar onde arde o combustível nos fornos.
Algo que está em foco é o mesmo que "em destaque" ou "em discussão".
O verbo focar tem algumas outras implicações:
1. Pôr em foco.
2. Tomar por foco.
3. Ajustar um sistema óptico para obter uma imagem mais nítida.
4. Concentrar ou concentrar-se.
Seu sinônimo geral é FOCALIZAR.
Aqui reside um dos pontos deste artigo: O que temos focalizado? Qual tem sido o foco de nossas vidas? Em outras palavras: Qual tem sido a chama que arde dentro de nós?
Em Colossenses 1.15-17 lemos: "[Jesus] é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque Nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele".
Jesus é o centro. Ele é o foco.
Porém, nosso coração é dividido. Queremos algo que nos satisfaça, que atenda ao nosso eu. Nossas atenções estão fragmentadas em muitas ocupações e desejos. A petição do salmista sintetiza bem isso: "Unifica o meu coração para temer o teu nome" (Salmo 86.11).
Estabelece-se uma dualidade: Enquanto o mundo segue cada vez mais centrado no homem, corrompido pela velha natureza do pecado, aqueles que receberam a vida de Deus pela fé em Cristo tem outra mentalidade. Quem nasceu de novo tem um sentido radicalmente diferente para sua existência - o "eu" foi substituído pela adição de outras duas letras: "Deus". Mas a carne insiste. Ela luta para que permaneça "D-eu-s", ou seja, a vontade do homem ainda em evidência, como uma tentativa desesperada de resistir ao Único Digno de atenção no grande palco central.
Por estarmos há tanto tempo focados em nossas próprias crises e preocupações, parece que é necessário que ocorram tragédias - como a devastação na região serrana, o terremoto/tsunami no Japão ou o massacre na escola - para que nossos olhos saiam de nós mesmos, de nossas "coisinhas", de nosso "universo particular". Quando ocorrem calamidades, é muito significativa a mobilização das pessoas para amenizar de alguma forma a dor daqueles que sofreram perdas irreparáveis. Mas vida que segue: domingo é final de campeonato, segunda tem trabalho, terça vencem as contas... De novo estamos com o foco em nossos próprios umbigos.
Lemos em Deuteronômio 5.22-27 que os hebreus, ao receberem os mandamentos no monte Sinai, temeram. Diz o texto que o Senhor falou "do meio do fogo". Eles pediram que apenas Moisés se aproximasse e falasse diretamente com Deus. Lembre-se que aquele povo era centrado em seus próprios desejos, por isso sucumbiu no deserto. Moisés, porém, havia recebido seu chamado por meio do fogo que fazia a sarça arder e não a consumia.
Precisamos discernir se temos condições de nos aproximarmos de Deus, a quem a Bíblia chama de "Fogo Consumidor". A primeira condição é o amor. Ele nos amou e nos recebeu como filhos através do novo nascimento. O verdadeiro amor lança fora o medo (1 João 4.18). Esta palavra confirma que podemos - e devemos! - nos aproximar Dele! Para mantermos o foco na Pessoa certa e alimentarmos essa chama acesa, viva, precisamos nos voltar para Deus e amá-Lo de todo nosso coração, alma, força e entendimento!
Também é importante uma atitude humilde, quebrantada: tirarmos as sandálias dos pés, considerarmos a nós mesmos como servos, escravos, totalmente submissos. Somente assim Ele nos exaltará (Tiago 4.6-10). E ao ouvirmos a Sua voz, devemos cuidar para não construirmos "ídolos estáticos". Temos a tendência de seguir fórmulas e padrões. Adoramos modelos. Mas o fogo não tem uma forma definida, e não é estático. Deus está em movimento e está fazendo novas todas as coisas (Apocalipse 21.5).
Saudade é focalizarmos alguém. Mas não é qualquer pessoa, tem de ser alguém significativo. Sentimos então uma dor no peito pela falta, pela ausência dessa pessoa. Perdemos até a vontade de comer. Saudade também demanda alguma ação. Saudade sem atitude é só discurso, é só jogo-de-cena. Pois parece estar aumentando a saudade na Noiva (a igreja) pelo Noivo (Jesus). Tem crescido o clamor pela segunda vinda de Cristo. Há uma dor, um anseio, em Seu Corpo aqui na terra para que o Cabeça volte não mais em visitações (avivamentos) mas habitando em definitivo conosco (Reino de Deus).
Outra questão importante: A nossa vida tem sido um foco - uma pira, um braseiro, um ponto de convergência, um candeeiro que pode orientar?
Pira é um recipiente em que arde um fogo. A chama em todo crente é o Espírito Santo. Além do vento e da água, o fogo é um símbolo bíblico do Espírito Santo. Ele é Deus em nós. A sarça que arde e não se consome é uma representação do próprio homem que tem sua vida diante do Todo Poderoso!
Se o Espírito Santo, esse fogo glorioso, não está ardendo, se Ele não queima em nosso interior quando pecamos ou tendemos às coisas que o entristecem, se não temos prazer em tudo o que diz respeito à vontade do Pai, então devemos nos perguntar: Temos mesmo a Presença de Deus em nós? Ora, somos salvos ou não? Experimentamos o novo nascimento ou não? Que tipo de igreja somos? Que tipo de congregação é a que frequentamos? Que "evangelho" é esse que não ajunta brasas, antes é individualista, egoísta, tão cheio de não-me-toques, de melindres, não dado à exortação mútua ou à comunhão verdadeira entre os irmãos?
Muitos cultos hoje são reuniões sociais, pontos de encontro casuais. Só que é tudo tão fake! As expressões de adoração tão vívidas no domingo simplesmente se esvaem na segunda-feira. Os abraços e os cumprimentos - A paz do Senhor, irmão! - não alcançam aqueles que realmente estão padecendo. Geralmente as pessoas abraçam e cumprimentam as mesmas de seu círculo de amizades, gente que orbita seu "universo particular" (olha ele aí de novo!).
A igreja reunida tem deixado de ser um lugar para ajuntar brasas a fim de formar um altar ao Senhor. Há fogo estranho sendo aceso - entretenimento, movimentos, eventos, agitação. Mas Deus irá consumir todas as obras mortas, tudo o que é madeira, feno e palha (1 Coríntios 3.11-13). Ele também envia seu fogo quando murmuramos, ou seja, quando somos ingratos e não reconhecemos os Seus feitos (Números 11.1-3 - Taberá).
Somos um foco de luz para onde o mundo se volta a fim de não sucumbir nas trevas? Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte (Mateus 5.14-16). Jesus foi enfático: "para que vejam as vossas boas obras". Não pode passar despercebida uma igreja constituída de pessoas que focalizam Jesus acima de tudo e que, por isso mesmo, torna-se um ponto de convergência da glória de Deus, um candeeiro para os perdidos.
Foco. Precisamos do Verdadeiro. Precisamos ser verdadeiros.
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 29 abril 2011 18:11 |
Dias proféticos: a conversão da família
Luciano Motta
Uma das ênfases na mensagem de João Batista era clara: fazer voltar o coração dos pais a seus filhos (Lucas 1.17). Portanto, a preparação da volta de Jesus e do estabelecimento de Seu Reino passa necessariamente pela conversão dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. Isso é a conversão da família.Somos uma geração de lares combalidos, fragmentados. Pergunte, em qualquer sala de aula, quantos estudantes tem pai e mãe ainda casados. Não será surpresa alguma ver bem poucas mãos levantadas. Mas uma pergunta relevante não tem sido feita: Dentre os casamentos ainda firmados, quantos pais, mães e filhos são verdadeiramente felizes e realizados, sendo Cristo o centro de suas vidas?
Ouvimos com facilidade a respeito de "comunhão" na igreja, mas a realidade dos lares e dos relacionamentos que compõem as congregações é igual ou até pior do que o mundo: brigas, divisões, partidarismos, falsidade... Existem aos montes igrejas que se auto-intitulam "uma família", mas são tantos filhos que não suportam seus pais "santos" na igreja e vazios da vida de Deus em casa... Multiplicam-se "ministérios" pomposos e aparentemente bem sucedidos, com CDs gravados, sites e programas na TV, que propagam a bênção, a prosperidade, mas muitos de seus ministros/pastores/cantores/líderes maqueiam casamentos fracassados, famílias destruídas...
A família é profética. À luz de Efésios 5 o relacionamento entre marido e mulher simboliza o relacionamento entre Cristo e Sua Igreja. Os filhos representam os muitos frutos dessa união santa. Novamente aquela pergunta que não tem sido feita: Nossas famílias tem sido profecias vivas a respeito de Cristo e Sua Noiva, a igreja?
Converter, no dicionário, significa "mudar, transformar, transmudar uma coisa em outra". Esse é o plano de Deus desde o princípio para cada um de nós: substituir nossa natureza corrompida pelo pecado por uma nova, à imagem e semelhança de Cristo. Também no âmbito familiar, Deus deseja transformar pais e filhos desconectados uns dos outros, egoístas, presunçosos, em uma união de gerações que promova o avanço de Seu Reino e o cumprimento de Sua Palavra.
Quantos maridos amam suas esposas e se entregam por elas como Cristo fez e permanece fazendo com a Sua Igreja? Quantas esposas são submissas aos seus maridos, cooperando com eles, como a igreja deve ser com relação a Cristo? Quantos filhos honram e confiam em seus pais plenamente assim como quantos pais podem ser qualificados hoje como homens e mulheres de integridade e referência para seus filhos?
A conversão da família produzirá a transformação da sociedade. 1 João 2.14-14 fala de pais, filhos e jovens: "Filhinhos, eu vos escrevo porque os vossos pecados são perdoados por amor do seu nome. Pais, eu vos escrevo porque conheceis aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo porque vencestes o Maligno. Crianças, eu vos escrevi porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi porque conheceis aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes, e a Palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno".
Charles E. Newbold Jr. em "The Crucified Ones" (p.36) comenta sobre esse texto:
Pais são centrados nos filhos. Eles cuidam dos filhos. Filhos são centrados no pai. Eles se importam com as coisas do pai. Eles querem cumprir a vontade dele. Mas jovens são tipicamente centrados em si mesmos. E assim é no Reino de Deus.Note como a sociedade atual é voltada para a juventude e a adolescência - na linguagem, no modo de vestir e de vender, no comportamento. E não é coincidência que esta mesma sociedade seja tão egoísta, tão individualista, tão centrada no "eu". Não é por acaso que faltem homens e mulheres de verdade, maduros, constantes, íntegros.
Aqueles que permanecem no átrio são jovens. Aqueles que vão para o santo lugar são filhos. E aqueles que alcançam um domínio de maturidade no Santo dos santos assumem a natureza do Pai. Eles são Abraãos.
Por Sua graça, Deus endereça esta mensagem a todos: pais, filhos e jovens. O apóstolo João ressalta em sua epístola os pontos fortes de cada uma dessas figuras: Um pai que conhece Deus-Pai é exemplo, é mentor, é sacerdote da sua casa. Um filho, por mais criança que seja, sempre está preocupado em obedecer e seguir o seu pai. Todo filho conhece o pai e o tem como referência. E finalmente os jovens: fortes, vencedores, porém tendem ao egoísmo se desconectados da paternidade.
Se a família tem sido perseguida com violência, a igreja também deveria ser violenta em protegê-la. Jesus falou a respeito disso: "Desde os dias de João Batista até agora, o reino do céu é tomado à força, e os que se utilizam da força apoderam-se dele" (Mateus 11.12). Esse Reino é constituído de famílias segundo o coração de Deus.
São imprescindíveis, portanto, ações de defesa e fortalecimento dos lares, não com armas carnais, mas espirituais: Homens mais preocupados com seu sacerdócio em casa do que com um púlpito ou uma plataforma; esposas que santificam seus lares cooperando com o sacerdócio de seus maridos, submissas, amáveis; filhos expostos diariamente ao Evangelho do Reino pelo testemunho de seus pais, pela vida de Deus que carregam em si.
Esta é uma questão-chave da igreja nesses dias proféticos. Enquanto a maior parte dos crentes está perdida, embevecida por um "outro evangelho", enquanto as trevam avançam sobre a sociedade, Deus está levantando famílias proféticas, que serão testemunhas dos valores do Reino. Pais e filhos que hão de pregar o verdadeiro Evangelho de Cristo com suas vidas e relacionamentos, indo além de discursos e aparências.
A Palavra de Deus é viva e eficaz. Que estas Escrituras movam nossos corações e mentes a atitudes e transformações em nossos relacionamentos:
Efésios 5.22-24:
Família:
Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.
Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças.
Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus.
Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. Portanto, não participem com eles dessas coisas.
Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. Por isso é que foi dito: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti".
Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo.
Esposas:
sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos.
Maridos:
amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo.
Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne". Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja.
Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito.
Efésios 6.1-4:
Filhos:
obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. "Honra teu pai e tua mãe", este é o primeiro mandamento com promessa: "para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra".
Pais:
não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.
Colossenses 3.1-21:
Família:
Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas.
Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória.
Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria.
É por causa dessas coisas que vem a ira de Deus sobre os que vivem na desobediência,
as quais vocês praticaram no passado, quando costumavam viver nelas.
Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador. Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos.
Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos. Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seus corações. Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.
Esposas:
sujeitem-se a seus maridos, como convém a quem está no Senhor.
Maridos:
amem suas mulheres e não as tratem com amargura.
Filhos:
obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor.
Pais:
não irritem seus filhos, para que eles não se desanimem.
Provérbios 4:
Filhos:
Ouçam, meus filhos, a instrução de um pai; estejam atentos, e obterão discernimento. O ensino que lhes ofereço é bom; por isso não abandonem a minha instrução.
Quando eu era menino, ainda pequeno, em companhia de meu pai, um filho muito especial para minha mãe, ele me ensinava e me dizia: "Apegue-se às minhas palavras de todo o coração; obedeça aos meus mandamentos, e você terá vida. Procure obter sabedoria e entendimento; não se esqueça das minhas palavras nem delas se afaste. Não abandone a sabedoria, e ela o protegerá; ame-a, e ela cuidará de você. O conselho da sabedoria é: procure obter sabedoria; use tudo que você possui para adquirir entendimento. Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. Ela porá um belo diadema sobre a sua cabeça e lhe dará de presente uma coroa de esplendor".
Ouça, meu filho, e aceite o que digo, e você terá vida longa.
Eu o conduzi pelo caminho da sabedoria e o encaminhei por veredas retas. Assim, quando você por elas seguir, não encontrará obstáculos; quando correr, não tropeçará. Apegue-se à instrução, não a abandone; guarde-a bem, pois dela depende a sua vida. Não siga pela vereda dos ímpios nem ande no caminho dos maus. Evite-o, não passe por ele; afaste-se e não se detenha. Pois eles não conseguem dormir enquanto não fazem o mal; perdem o sono se não causarem a ruína de alguém. Pois eles se alimentam de maldade, e se embriagam de violência.
A vereda do justo é como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até à plena claridade do dia. Mas o caminho dos ímpios é como densas trevas; nem sequer sabem em que tropeçam.
Meu filho, escute o que lhe digo; preste atenção às minhas palavras. Nunca as perca de vista; guarde-as no fundo do coração, pois são vida para quem as encontra e saúde para todo o seu ser. Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.
Afaste da sua boca as palavras perversas; fique longe dos seus lábios a maldade. Olhe sempre para a frente, mantenha o olhar fixo no que está adiante de você. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade.
Que nossos corações se convertam ao Senhor por meio dessas palavras! Que nossas famílias se convertam ao Senhor e sejam testemunho da glória de Deus, agentes de transformação da sociedade e referenciais para essa geração perdida!
Nota final: Provavelmente irão se repetir as cenas chocantes noticiadas nesta semana, da morte de crianças inocentes em uma escola no Rio de Janeiro pelas ação de um jovem sem Deus, um filho sem pai - mais um entre tantos! Os dias do fim são marcados por agravamento das tensões, aumento da maldade e esfriamento do amor. Contudo, há uma igreja sendo levantada por Deus, no poder e na unção de João Batista, que se utilizará da força para amar, valorizar e proteger as famílias - uma igreja de lares convertidos, pais e filhos centrados em Cristo. Que venha o Teu Reino!
Leia também: "Uma palavra para pais e filhos" - Parte I e Parte II
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 11 abril 2011 10:32 |
Visão de uma geração
Luciano Motta
Grita por socorro um jovem dependurado em um precipício, prestes a cair. Não há ninguém para ajudar. Aquele lugar ermo parece estar situado em uma grande floresta. Quem poderia passar por ali? De súbito, Jesus aparece e o puxa pelo braço, salvando-o daquela situação desesperadora.Uma vez em terra firme, depois de recompor o fôlego, aquele jovem ouve Jesus chamando: "vem comigo". Ele vê Jesus seguindo pela direita, por entre as árvores. Aquele jovem, porém, resolve ir na direção oposta.
De um plano mais alto, é possível ver que a floresta é bem maior do que parecia inicialmente. O precipício fica na extremidade de uma imensidão verde que se estende até o horizonte. Somente quem conhece o caminho seria capaz de chegar ao outro lado sem se perder.
...
Esse jovem é uma geração. Gente que foi salva por Jesus, resgatada de circunstâncias terríveis. Gente que já ouviu ou conheceu o Evangelho do Reino e por isso teve alguma experiência de transformação e mudança de rota. Mas essa geração, em algum momento, ao invés de seguir a Jesus, decidiu ir por seus próprios caminhos, fazer sua própria vontade. Resultado: muitas e muitas pessoas, embora tenham sido salvas um dia, andam perdidas em suas vidas, rodando para lá e para cá, solitárias, ansiosas, frustradas. Perderam Jesus de vista na imensidão desse mundo, de valores invertidos, de religiosidade opressiva e de esfriamento do amor.
Você se identifica com essa geração?
Saiba que mais e mais pessoas tem reencontrado o Caminho. Andaram perdidas por um tempo, mas um dia reencontraram Jesus. E dessa vez, quando ouviram Dele "vem comigo", não hesitaram em segui-Lo. Existem comunidades de fé que estão redescobrindo a essência do Evangelho, lançando de novo os fundamentos e agora edificando uma vida sólida em Deus.
Se você deseja saber mais a respeito, deixe um comentário abaixo. Estou orando por você junto com muitos outros irmãos, que tem intercedido por essa geração.
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 23 março 2011 11:51 |
Dias proféticos: a necessidade de revelação
Luciano Motta
Continuamos a tratar dos dias proféticos que temos vivido. Falamos das calamidades na região serrana e dos conflitos no Egito, e como esses acontecimentos - e outros tantos, como agora a crise na Líbia e nos países árabes - apontam para os últimos dias. Também falamos do modo como está nascendo sobrenaturalmente a geração profética que se levantará na unção de João Batista para preparar o caminho da volta de Jesus.Inegavelmente vivemos dias de fome por alimento espiritual, de sede pelas revelações do Senhor (conforme Amós 8.11). Mas temos visto muitas profecias do homem para agradar ao homem, muitas palavras da alma, das emoções, para trazer sensações às pessoas. Há distorções quanto aos ministérios descritos nas epístolas de Paulo. Em nome do Reino de Deus, igrejas e denominações tem sido moldadas ao padrão do mundo, com suas hierarquias, estratégias de expansão, conchavos políticos e conveniências mesquinhas e carnais.
Por tudo isso, uma parte significativa do povo chamado evangélico está frustrada ou corrompida, porque baseou sua expectativa em homens e foi assim iludida, enganada. Há bastante gente marcada e ferida, incrédula e insensível à voz do Senhor e seus propósitos para a consumação dos tempos.
Falando sobre a expectativa do Reino, Anderson Bomfim comenta a respeito da perplexidade dos discípulos a caminho de Emaús (leia a história em Lucas 24.13-32):
Toda ilusão gera uma desilusão, uma decepção. [...] os discípulos que caminhavam para Emaús diziam: “Nós esperávamos que fosse ele que havia de redimir a Israel...” Isso aponta para uma desilusão, que é resultado de uma ilusão, gerada por aspirações equivocadas, pois não entenderam o plano, eles esperavam que fosse diferente. Por isso, estavam profundamente decepcionados. Esse termo “decepção” significa: Sensação de depressão resultante de uma expectativa ou desejo não alcançado. A ilusão gerou desilusão, justamente por que suas expectativas não foram alcançadas. Mas se observarmos no começo tudo era diferente, os discípulos renunciaram tudo que tinham e partiram seguindo a Jesus incondicionalmente, tudo era certeza, todos estavam dispostos a tudo. O ministério de Jesus atraia multidões e os discípulos vibravam com isso. O que precisamos entender a respeito das ilusões, é a forma como podemos cair tão rapidamente do sucesso para a depressão. O sucesso dos resultados visíveis tem o poder de gerar expectativas enganosas. O sucesso ministerial é um solo deslizante e consequentemente perigoso, onde somos tentados pela cobiça e nossas motivações podem se corromper.Como igreja, precisamos retomar a perspectiva correta. Pessoas como aqueles dois discípulos a caminho de Emaús, sem o correto entendimento das Escrituras, tomados de incredulidade, comprometem suas próprias trajetórias e de outros. Jesus mesmo disse: "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?" (Lc 24.25-26).
Precisamos da revelação de Cristo para esses dias. É imprescindível Jesus estar no centro de nossas vidas e famílias, no centro de cada igreja e comunidade de fé, expondo seus propósitos e intenções para esta geração do fim. Exatamente como foi com aqueles dois discípulos: "E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras" (Lc 24.27).
Enquanto Ele lhes ensinava e lhes abria o entendimento, o coração dos discípulos ardia (Lc 24.32). Aqui no Brasil em particular, no começo dos anos 2000, um fogo santo incendiou toda uma geração. Mas faltou revelação acerca de tudo o que estava sendo liberado. Sem propósito e sem finalidade, a paixão se esvaiu em muitos corações. Esta segunda década do século XXI, entretanto, será marcada por um ardor que irá aumentar e se espalhar. Serão filhos de Deus incendiados pela revelação de Cristo e de seu Reino que está vindo. Uma geração advinda da incredulidade, da esterilidade, da fome pela verdadeira Palavra de Deus. Parece que Ele mesmo tem permitido essa fome aumentar para que o busquem e andem alinhados aos Seus planos.
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 25 fevereiro 2011 11:35 |
Dias proféticos: Zacarias, Isabel e João Batista
Luciano Motta
No último post falei de forma breve a respeito dos dias proféticos que estamos vivendo. As convulsões nas nações e no planeta demonstram que está chegando o Dia do Senhor. Jesus está voltando! Ele vem para estabelecer o Seu Reino aqui na terra. Antes, porém, se levantará uma geração como João Batista, que caminhará no mesmo espírito de Elias. Será radical quanto aos desígnios de Deus e irá preparar o caminho da volta de Cristo.Tal geração, para se mover no impossível de Deus, será gerada a partir da impossibilidade, do sobrenatural, como foi com João Batista e seus pais Zacarias e Isabel. Encontramos a história em Lucas 1.5-25,57-80 e nela baseamos esta palavra.
Isabel era estéril (v.7). Zacarias estava ministrando o seu sacerdócio quando o anjo Gabriel apareceu e lhe anunciou que haveriam de ter um filho: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor" (v.13-17).
Zacarias, porém, não acreditou: "Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada" (v.18). Por causa de sua incredulidade, ficou mudo (v.20). Só tornou a falar depois que João Batista nasceu, e então louvou ao Senhor (v.64).
Há muitos paralelos com os dias atuais. A geração que está se levantando no mesmo espírito de João Batista tem pais estéreis e incrédulos. Talvez nunca antes houve uma geração cristã tão vazia de fé e confiança em Deus como a do presente século. Há escassez de uma fé sólida e genuína em Cristo. O amor tem se esfriado. Famílias estão destruídas. Multidões vão após sinais de homens que a Palavra denuncia como falsos profetas, enganadores (Mateus 24.24). Igrejas sofrem pela falta de zelo e de equilíbrio entre as três testemunhas: "o Espírito (dons), a água (Palavra) e o sangue (comunhão)" (veja 1 João 5.6-8).
Zacarias ficou mudo porque se agarrou a uma questão: sua idade e de sua mulher eram avançadas demais para terem um filho. Não é verdade que a mensagem da igreja ficou velha, caduca, repetida, irrelevante, infrutífera? Fala-se tanto sobre fé, mas quantos continuam agarrados aos seus cartões de crédito na hora do aperto! Prega-se sobre uma vida de abnegação em prol do Senhor, e tantos crentes continuam presos a TV e ao entretenimento, enchendo suas cabeças de imagens e sensações que só fazem extinguir o fogo do Espírito. Troca-se a simplicidade do Evangelho por estratégias, eventos e movimentos que cansam e desgastam, campanhas que infelizmente mais acorrentam do que libertam. Essas coisas - e muitas outras - representam esse evangelho mudo, que não diz absolutamente nada a respeito de Cristo e do Reino.
A esterilidade é vencida pela vida de Deus, que vem pelo arrependimento. Ainda há muitas obras da carne, muitas ações movidas por emoções e euforia, mas como falta o fruto do Espírito! A geração profética dos últimos dias nascerá nesse contexto, e romperá com tudo isso pela vida abundante do Espírito Santo, pelo modo como serão separados, nazireus (v.15). Homens e mulheres no mundo inteiro tem se alinhado ao espírito que converte o coração dos pais a seus filhos e dos filhos a seus pais. O Espírito Santo está intervindo na história. Está em andamento uma revolução no interior da Noiva!
Ao engravidar, Isabel se reserva. Durante cinco meses ela "não saiu de casa" (v.24). Vivemos o tempo da gestação, da espera, de se fazer coisas mínimas, básicas, para depois realizarmos grandes obras. Não sair de casa aponta para a família. Certamente Deus quer movimentar algumas coisas "do lado de fora", Ele realmente quer a Sua igreja brilhando a Sua Luz nas trevas deste mundo. Mas Ele chama a nossa atenção para o seguinte: seja obediente e fiel nas coisas mínimas, aquelas que não aparecem nos holofotes, que não dão status, tais como: amar sua família, cumprir suas obrigações, pagar suas contas, ser íntegro, desenvolver sua vida devocional, valorizar o SER antes do FAZER... Isso é ser fiel no pouco. Contudo, são as bases, os fundamentos do Reino de Deus.
Esse tempo de espera se repete em muitas passagens da Bíblia. Jesus começou seu ministério somente aos trinta anos de idade. Os discípulos aguardaram o Espírito Santo durante cerca de quarenta dias depois de Cristo subir aos céus. O apóstolo Paulo levou cerca de quatorze anos antes de começar efetivamente seu ministério de levar o Evangelho a todo o mundo conhecido de sua época. Sem dúvida, esses e outros homens e mulheres de Deus passaram esse tempo de espera obedientes ao Senhor, crescendo em fé e em graça, sendo fiéis nas pequenas coisas. Não ficaram sem fazer nada. Foram assim preparados para grandes realizações.
Zacarias profetizou a respeito de Jesus e João Batista (v.67). Suas palavras falam também sobre esta geração profética dos últimos dias, um povo que foi liberto com um propósito bem definido: "para servi-lo sem medo, em santidade e justiça, diante dele todos os nossos dias" (v.74-75). Uma geração de servos, não de estrelas cadentes. Uma igreja santa e justa, semelhante a Cristo.
De João Batista, Zacarias profetizou: "será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz" (v.76-79). Assim se portará essa geração profética nesses dias!
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 18 fevereiro 2011 10:53 |
Dias proféticos
Luciano Motta
A grande catástrofe que atingiu recentemente a região serrana no Rio de Janeiro e também outras localidades no Brasil e no exterior certamente suscitou em algumas pessoas a seguinte pergunta: Por quê?Especialistas em clima e geologia apontam possíveis causas naturais: efeito estufa, fenômeno La Niña, condições do solo... Sociólogos acusam os políticos por sua omissão e descaso com o problema das pessoas habitando em áreas de risco... Governantes transferem a responsabilidade para os próprios moradores por terem construído suas casas em locais impróprios... Ateus aproveitam para por a culpa em Deus...
E os crentes fazem o quê?
Veja também a atual crise no Egito - milhares de pessoas nas ruas, violência, mortes, perseguição à imprensa... Sem dúvida há grandes interesses em torno desse país de grande extensão territorial, que conecta África e Ásia, com cerca de 80 milhões de habitantes. No Egito fica o canal de Suez, preciosa rota de passagem que liga o Mediterrâneo aos mares orientais. Pois essa nação em ebulição política tem tudo para incrementar sua oposição a Israel caso assuma um novo líder, e a pressão é por um radical islâmico.
E a igreja faz o quê?
"Ouçam esta palavra que o SENHOR falou contra vocês, ó israelitas; contra toda esta família que tirei do Egito: Escolhi apenas vocês de todas as famílias da terra; por isso eu os castigarei por causa de todas as suas maldades. Duas pessoas andarão juntas se não tiverem de acordo? O leão ruge na floresta se não apanhou presa alguma? O leão novo ruge em sua toca se nada caçou? Cai o pássaro num laço se não há nenhuma armadilha? Será que a armadilha do laço se desarma se nada foi apanhado? Quando a trombeta toca na cidade, o povo não treme? Ocorre alguma desgraça na cidade, sem que o SENHOR a tenha mandado?" (Amós 3.1-6 NVI)
Esta palavra foi um juízo de Deus contra Israel e seu pecado. Em pouco tempo os israelitas foram levados cativos para a Babilônia. Eles tiveram conhecimento do que Deus ia fazer por meio do profeta.
A Bíblia nos mostra homens de Deus enviados para anunciar calamidades e tragédias que estavam por vir, assim como invasões, destruição de povos, cerco de inimigos. Há diversas referências que ligam as vozes dos profetas às tragédias e aos conflitos nas nações.
Há uma voz profética para esses dias. O mundo está desmoronando. Impérios antes considerados imbatíveis estão ruindo. Nações desprezadas agora se levantam com força. As previsões científicas quanto aos movimentos da natureza tem sido refeitas constantemente. Há uma aceleração dos tempos. Sem dúvida, vivemos dias proféticos.
"Certamente o SENHOR Soberano não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas" (Amós 3.7 NVI).
Como anda a voz profética da igreja de Cristo hoje? Muitos estão ocupados com seus planos de conquista e expansão de suas próprias bandeiras e denominações. Muitos estão deslumbrados por um evangelho antropocêntrico, voltado para a bênção, para as promessas, para o bem-estar do homem.
Deus revela aos seus profetas o que vai fazer ANTES de fazer. Então, quem teve a revelação de Deus para as calamidades na região serrana? Quem teve a palavra profética para as crises no Egito? Quem irá anunciar as próximas ações de Deus na terra?
"Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR" (Amós 8.11 NVI).
É crescente a fome e a sede pelo verdadeiro Evangelho do Reino, pelas coisas do fim. Precisamos urgentemente da revelação de Deus para os últimos dias. A igreja só será relevante se compreender o seu papel nesses tempos de graves calamidades e crises nas nações. É hora da igreja e dos seus profetas se levantarem no mundo e liberarem os juízos de Deus. Ele é Amor, mas também é Justiça. Cristo veio como Cordeiro de Amor, mas voltará como Leão, e julgará a terra.
Que sejamos como as cinco virgens prudentes, mantendo nossas lâmpadas acesas, preparados para a chegada do Noivo (Mateus 25.1-13). Que sejamos aqueles que preservam uma vida devocional consistente, uma adoração apaixonada e racional, aqueles que beijam o Filho em honra e temor (Salmo 2.11-12). Que sejamos igreja viva, santa, posicionada, radical pela vontade de Deus e pelo cumprimento exclusivo de Seus propósitos, guiada pelo Espírito Santo, abundante em dons e unção. Que venha o Teu Reino. Maranata!
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 09 fevereiro 2011 15:48 |
Não compartilhe suas resoluções!
Luciano Motta
Tomei este título emprestado de um pequeno artigo do escritor Donald Miller. Fala sobre o fato de muitas pessoas contarem suas resoluções de fim de ano para outras, aumentarem as expectativas de todos e, no fim, perderem a motivação quando algumas dessas resoluções não se cumprem no tempo ou do jeito esperados. Miller sugere que os objetivos sejam fragmentados em pequenas partes, com prazos realistas e passíveis de reavaliação. Conclui seu texto com esta sentença: "ao invés de nos motivarmos por nossos amigos terem ficado impressionados com os nossos objetivos, podemos ser realizados ao cumprirmos todos eles".Existem pessoas confiáveis que podemos compartilhar nossos sonhos e objetivos, mas o silêncio ainda é melhor. Aprendi sobre isso faz algum tempo, e realmente é verdade.
Minha esposa e eu marcamos a data do nosso casamento com mais de ano de antecedência, e só nós sabíamos disso. Trabalhamos as possibilidades, recorremos aos familiares próximos, investimos nossas parcas economias. A maioria das pessoas de nosso convívio só ficou sabendo que íamos nos casar quando ficamos noivos quatro meses antes da data que minha esposa e eu havíamos estipulado. As expectativas de todos foram supridas, e não nos desanimamos porque tudo já estava bem encaminhado. Casamos no dia 14 de março de 1998.
Outro ponto importante na questão das resoluções: Nossos planos devem estar sujeitos ao Senhor. Ele é poderoso para fazer mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3.20). Tem sido assim comigo até hoje. Não tenho dúvida de que todo servo de Deus vive essa realidade.
Há ainda muitas coisas a serem conquistadas (temos "culpa no cartório" em muitas delas!). Devemos então aproveitar a oportunidade que Deus nos dá nesse começo de ano para planejar, arregaçar as mangas e trabalhar com pequenas metas até os grandes alvos, sempre alinhados ao querer Dele.
No fim de 2011 fale de suas realizações, compartilhe suas conquistas, as bênçãos de Deus. E se até lá algo não for alcançado, mas você manteve seus objetivos em secreto, então só você saberá o que ficou incompleto e assim preservará sua motivação para concluir tudo mais à frente. Avalie o que não deu certo, adicione novas resoluções e comece o próximo ano de cabeça erguida. Trace objetivos de médio e longo prazos. Pense daqui a cinco, dez, vinte anos. O que você será? O que você quer conquistar? E acima de tudo: O que Deus quer de mim?
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 06 janeiro 2011 17:25 |
Sobre o agora
Luciano Motta
Uma das forças que impulsiona o mundo é o agora. O capitalismo se apropriou disso. Os cartões de crédito estão aí para provar. Possibilidades imediatas - e enormes, dependendo do seu limite - para se gastar um dinheiro que não se tem. A conta vem na próxima fatura, e quem empresta fatura alto, muito alto, em cima da falta de controle das massas. Sim, a nossa falta de controle.O agora é imperativo. Compre. Beba. Faça. Agora! Não há tempo a perder. O ontem passou e o amanhã, quem sabe? Se o hoje está garantido, no mínimo, como uma possibilidade de realizações, o agora é urgente, é apressado, está aí, talvez você não dure até o final do hoje, portanto, desfrute do agora. Já!
A ordem é velocidade: informação online, correio eletrônico, comida de microondas, macarrão instantâneo, fast food. Essa noção se aloja também nas demais áreas: no salário que se gasta rápido (mal dura a primeira semana do mês!), nos casamentos que se desfazem na primeira briga, na fé fervorosa do culto de domingo que se esvai na manhã de segunda-feira, etc.
Somos estimulados o tempo todo a vivermos intensamente o agora, não importam as consequências. Importante é sermos felizes agora. Importante é a nossa satisfação egoísta e mesquinha agora:
... se o que você compra agora te dará prazer mesmo que depois implique em desgraça nas suas finanças, não complique, é simples: faça mais crédito ...E assim o agora, que é uma dádiva, uma oportunidade, vai se tornando uma armadilha, um estilo de vida que arruína a própria vida. Valores de longo prazo como estabilidade, caráter, integridade, fé, constância são desprestigiados em uma cultura imediatista. Mas sem eles, não há sociedade que resista. Valores sobrevivem às circuntâncias, ao tempo, ao agora.
... se houve uma discussão e você acha que por isso o seu casamento deve acabar agora, ok, não lute pelo seu relacionamento, arrume outro parceiro(a). Divórcio é algo tão comum ...
... se você está permitindo que a tentação tome conta da sua mente agora, tudo bem, pratique o mal, vá fundo no pecado. O Deus dos crentes é um Deus de graça e amor, mais tarde, chore e peça perdão. Ele vai te perdoar ...
Ir contra essa corrente demanda atitudes na mesma medida de urgência ou ainda mais imediatas! Algumas posições são necessárias agora:
1- Se você NÃO É cristão: receba agora Jesus Cristo em sua vida em uma atitude de fé: Feche seus olhos (não se distraia com o que está ao redor), suspire fundo e fale com Jesus sobre a sua decisão - é igual a falar com um amigo. Depois, procure o mais rápido possível alguém que você considere ter uma vida sólida em Cristo, alguém com caráter condizente de quem diz amar Jesus. Essa pessoa certamente irá te ajudar nos primeiros passos de sua nova vida. Sim, a sua vida será diferente! Acredite! É real.
2- Se você JÁ É cristão: ore agora mesmo por aqueles que você conhece (ou não) que estejam vivendo sob a ditadura do consumismo e do imediatismo. Ore para que você e a Igreja de Cristo não sejam tomados pelo espírito desse mundo, mas que sejamos todos convencidos e transformados pelo Espírito Santo a uma vida que influencie positivamente a sociedade e promova os valores do Reino. Conheça a Palavra. Conheça Deus. Aprenda a viver conforme Ele quer. Posicione-se. Conserte o que está quebrado. Pague o que deve. Não se endivide mais.
Este é um chamado urgente. Faça logo, faça agora!
"Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti" (Salmo 39.7 NVI)
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 10 dezembro 2010 22:45 |
Promessa não é seguro de vida
Luciano Motta
Promessa. Palavra bonita, sedutora. Abundantemente pregada nos púlpitos e nos programas televisivos. Tema recorrente em inúmeras canções e CDs de diversos artistas gospel. Em muitas igrejas não há um só culto cuja ênfase não seja essa: as promessas de Deus. Faz bem ao coração do perdido - e dos salvos também.Promessa tem sido transformada em garantia de imortalidade aqui na terra. Não raro ouvimos: "Você não vai morrer enquanto as promessas de Deus não se cumprirem em sua vida!"
Você já ouviu ou cantou algo parecido com isso? Sem dúvida, muitas vezes. É uma mensagem que afaga o ego e alimenta ainda mais o espírito antropocêntrico desse século. Como sair insatisfeito de um culto cuja ênfase invariavelmente seja "você é mais do que vencedor" ou "em Deus você pode todas as coisas"? Ou não ficar inflado com sermões que te dão "quatro chaves para a conquista" e "cinco passos para a prosperidade em todas as áreas da vida"?
Eu acreditava nisso. Ministrei esse tipo de mensagem em muitos cultos. Mas recentemente meus olhos se abriram a partir dessa passagem:
"Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hebreus 11.13 NVI).
A quem se refere esse texto? Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara (v.4-11). Poderia discorrer agora sobre a trajetória desses personagens, as promessas que receberam de Deus e as provas de fé pelas quais passaram. Mas vamos fazer diferente: leia e pesquise na Bíblia sobre cada um deles. De fato quero ressaltar aqui que essas pessoas "viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido".
Como assim? Morreram? Mas "quem tem promessa de Deus não morre... aleluiasss!" - É o que ouvimos comumente. E é um grande engano.
Os heróis da fé listados em todo o capítulo 11 da epístola aos Hebreus, e também (por que não?) os incontáveis homens e mulheres que ao longo dos séculos dedicaram suas vidas a Deus, receberam promessas tremendas e viveram pela fé. Contudo, muitos deles morreram antes de verem algumas dessas promessas se concretizarem. Viram tudo "de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra". Na verdade, entenderam que faziam parte de um plano muito, muito maior de Deus, que abrangia povos e nações desconhecidas por eles; um plano que ultrapassava qualquer deleite pessoal efêmero ou riqueza humana desse mundo.
O engano do que vou chamar de "teologia da promessa" está no modo como reduz o grande plano de Deus ao tamanho das necessidades pessoais e imediatas dos ouvintes, prometendo resoluções e intervenções divinas as mais diversas a partir de passagens bíblicas que se tornaram chavões de auto-ajuda gospel. Por esse ângulo, as famosas "caixinhas de promessas" foram precursoras desse movimento. Inegavelmente é maravilhoso poder ler sempre um texto bíblico que nos é favorável, abençoado, quase um "paracetamol cristão" para alívio diário das nossas dores de cabeça. Mas será que alguém já experimentou ler o contexto em que essas mesmas promessas se encontram na Bíblia e sondar a mensagem exata de Deus?
Paracetamol só traz alívio, não cura. E ainda pode ser um remédio inapropriado, se usado indevidamente. Daí outra confusão: Promessa embalada como profecia. E complica mais quando o homem ou a mulher falam em nome de Deus, e declaram que certas coisas irão ocorrer na vida da pessoa e que Deus é Fiel para cumprir, pois foi Ele quem prometeu, etc etc etc. Tantos "profetas" que falam, determinam, declaram de si mesmos, e não tem a verdade de Deus. Profecias encomendadas para agradar a plateia, como nos tempos do rei Acabe (1 Reis 22.1-25).
As promessas são importantes. Nutrem a nossa esperança, a nossa fé. Mas não podem ser tratadas assim. Pois hoje inúmeros crentes estão frustrados com Deus, com a igreja. Receberam promessas, acreditaram nelas como remédios definitivos de suas dores (e resolução de seus problemas financeiros), mas no fim só acharam desilusão. Estas pessoas não foram apresentadas ou não conheceram o único que pode curar e transformar: JESUS. Por desconhecerem as Escrituras, erraram ou foram induzidas ao erro.
Sem a pretensão de criar um conceito, creio que toda promessa está ligada a um contexto, a um plano de Deus, que pode ser maior do que o meu e o seu tempo de vida nesta terra. Por isso podemos perfeitamente morrer sem vermos o fim de tudo. Isso fica bem claro, por exemplo, em um dos textos mais chavões usado pela "teologia da promessa" e que é convenientemente retirado de seu contexto e aplicação:
"...aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará..." (Filipenses 1.6).
Antes destas palavras, o apóstolo Paulo afirma sua gratidão a Deus pela vida dos filipenses e sua "cooperação no Evangelho" (1.5). Hoje em dia, qualquer pessoa recebe a promessa constante nesse texto sem que nela se verifiquem os valores do Reino. Pessoas que não cooperam em nada com o Evangelho e possivelmente nem são convertidas. Outro problema, ainda no verso 6: a obra que Deus havia começado naqueles crentes seria aperfeiçoada "até o dia de Jesus Cristo" (1.6b). Ou seja: uma referência direta à segunda vinda. Uma promessa que se completa no futuro, não no presente. Convenientemente esta última parte do texto fica de fora dos púlpitos, pois os ouvintes urgem por bênçãos imediatas e milagres urgentes.
A epístola aos Filipenses enfatiza uma vida em que o amor e a excelência aumentem mais e mais até o dia de Cristo (1.9-10); em que o "viver é Cristo, e o morrer é ganho" (1.21). Fala do esvaziamento do Filho por amor e obediência ao Pai (2.5-8) em contraste com uma igreja egoísta: "todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus" (2.21). Exalta Epafrodito enquanto servo, colaborador, quase morto por causa do Evangelho (2.25-30). O apóstolo Paulo coloca suas conquistas e tudo mais como perda (3.7), pois tem um alvo (3.14) e uma pátria (3.20). Por isso, exorta os crentes a não ficarem ansiosos (4.6), a pensarem no que tem virtude e louvor (4.8). Paulo sabia passar necessidade e abundância (4.12), pois tinha uma certeza (e aqui aparece outro chavão): "Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (4.13).
Portanto, a tal "boa obra" que Deus começou na verdade aponta para todos esses aspectos e fatos da igreja em Filipos e do apostolado de Paulo, e para a consumação de todas as coisas em Jesus. É uma promessa rica em ensinamentos e significados se considerada a abnegação do servo de Deus, que tem Cristo por alvo e o Evangelho como valor maior da vida.
Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara passaram. Você e eu vamos passar. Algumas coisas veremos, outras não. Mas tudo o que Deus prometeu irá se cumprir. Resta-nos crer, esperar Nele e viver segundo os Seus propósitos e vontade.
"Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu" (Hebreus 10.23).
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 06 dezembro 2010 12:08 |
Notas
Luciano Motta
Minha filha Luana começou a tocar teclado. Chegou para mim na terça e disse que queria aprender. Tomou lugar diante do instrumento e executou as primeiras notas (e até acordes!) depois de duas aulas.Um fato me marcou logo de saída: Luana foi às lágrimas depois de insistir em um exercício e não conseguir executá-lo. Ela queria porque queria fazer o exercício com perfeição. Seus dedinhos não atacavam as teclas direito pela miudeza de seus seis anos. Chorou porque teve de parar e ir dormir.
Quase que imediatamente, perguntei a mim mesmo: Quando foi a última vez que chorei por não conseguir executar o que meu Pai me ensinou?
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 19 novembro 2010 11:27 |
Famintos por repugnâncias
Luciano Motta
Em Lucas 15.11-32 lemos a famosa parábola do filho pródigo. Sem me deter na narrativa em si, quero destacar aquele instante em que o filho deseja se alimentar da mesma comida que os porcos comiam (v.16). Aquele jovem quis as alfarrobas destinadas aos porcos! Ele estava tão faminto e desesperado que, por um momento, o repugnante se tornou apreciável.Um parêntesis: Para quem não sabe, a alfarroba é um tipo de vagem comestível, semelhante ao feijão, de cor marrom escuro e sabor adocicado, utilizada pela indústria de alimentos na produção de gomas e espessantes. É um alimento saudável e de elevado valor nutritivo. Podemos dizer, então, que o alimento daqueles porcos não era propriamente uma lavagem, mas uma ração. Ainda assim: desprezível comida de porcos.
A essa altura da história os religiosos da época já estavam, no mínimo, desconfortáveis com o que ouviam. Sabemos muito bem que o porco é um animal considerado impuro pela lei judaica. Portanto, além de desonrar o pai e de se perverter com meretrizes, gastando sua herança, aquele jovem ainda teve de conviver com animais tão repulsivos aos olhos daquela sociedade, ao ponto de cobiçar suas alfarrobas.
Mas o que leva alguém a querer se alimentar de algo repugnante?
Sem dúvida, a fome e o desespero podem levar uma pessoa a atitudes extremas. Já estive no lixão aqui da minha cidade e presenciei coisas terríveis. Mas chegar a esse estágio de miséria - e permanecer nele - é um processo de esvaziamento de valores. Enredado por problemáticas de ordem moral, social, econômica, familiar e psicológica, o humano vai desaparecendo, abrindo espaço para um outro ser.
Entretanto, creio que tudo começa quando o homem decide se afastar de Deus.
Ao contrário de muitos, o jovem pródigo tinha tudo à sua disposição (v.31), mas mesmo assim decidiu ir embora. Partiu da casa do pai para viver conforme seus próprios desejos, sem os valores que antes o guiavam, sem a segurança do lar e o amor do seu pai. Pouco a pouco perdeu seus pertences, sua dignidade, até encontrar-se no meio de porcos, ao ponto de querer o que eles comiam. Observe como houve um esvaziamento gradativo, imperceptível nos primeiros dias e de constatação desesperadora nos últimos. Assim trabalha a iniquidade no coração das pessoas: um pecado leva a outro, um abismo chama outro, até alcançarem um estado lamentável de perdição e desvio do propósito de Deus.
"...pela lei vem o conhecimento do pecado" (Romanos 3.20).
"...mas eu não conheci o pecado senão por intermédio da lei. Pois eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência. Pois sem a lei estava morto o pecado" (Romanos 7.7-8).
Qualquer pessoa longe de Deus está desprovida dos valores de Deus. Vive, portanto, como alguém sem lei. Não tem consciência do pecado porque não tem referência. Não consegue mais discernir o bem do mal, o puro do impuro, o apreciável do repugnante. Quando tem fome - e todos somos famintos por algo que nos preencha - olha para comida de porcos sem valorizar a si mesmo como alguém criado à imagem e semelhança de Deus, alguém que tem um lar e um Pai de amor, com tudo do bom e do melhor à sua disposição.
Vamos ser sinceros: esse é também o meu, o seu problema. Queremos realizar nossas próprias vontades e desejos. Quantas vezes decidimos deixar Deus em algum lugar e partimos para desfrutar dos prazeres do mundo! Trocamos os banquetes da casa do Pai pelas alfarrobas do pecado, que podem nutrir, é verdade, mas apenas a carne. Então, com nosso espirito em estado de inanição, gradativamente vamos perdendo os valores de Deus até desejarmos repugnâncias - e não percebemos isso, porque estamos esvaziados de referências espirituais!
Precisamos reconhecer que a nossa fome, o nosso vazio interior, só pode ser preenchido pela presença de Deus, pelo conhecimento e a revelação diária de quem é Deus, pelo alimento sólido que é a Palavra de Deus. Só por meio do Espírito Santo podemos discernir os rumos da nossa vida. Decida estar ao lado Dele. Decida nunca deixar o Pai. Arrependa-se e vá correndo ao encontro Dele, pois Ele está à sua espera.
"Pois se viverdes segundo a carne morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis, porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (Romanos 8.13-14).
"Aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque a semente de Deus permanece nele; não pode continuar pecando, porque é nascido de Deus" (1 João 3.9).
Você é filho de Deus, nascido de novo? Ou é bastardo, alguém sem lei, distante do Pai? Repare bem no tipo de alimento que você se sente atraído e terá a resposta.
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 17 novembro 2010 23:27 |

As estratégias do homem x A vontade de Deus
Luciano Motta
{ Continuo a falar sobre a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Este texto por sua vez teve grande influência de um seminário ministrado pelo irmão Anderson Bomfim, que esteve em nossa comunidade em São Gonçalo nos últimos dias 09 e 10 de outubro de 2010. Certamente outras palavras minhas em posts futuros serão permeadas daquele seminário, que foi excelente. }
É bastante conhecida a passagem em que 12 espias, príncipes de cada tribo de Israel, foram enviados à terra prometida para sondarem suas riquezas e perigos. O relatório que eles trouxeram confirmava tudo a respeito do que Deus havia dito por meio de Moisés. Porém, haviam gigantes e cidades fortificadas que eles deveriam combater e expulsar para que pudessem tomar posse definitiva da terra.
Uma grande confusão de instaurou no meio do povo, porque a maior parte de seus príncipes decretara como certa a derrota diante daqueles inimigos. Apenas dois, Calebe e Josué, confiaram na palavra de Deus por intermédio de Moisés. Pois o Senhor se enfureceu com tudo aquilo e determinou um duro castigo: cada dia daquela expedição representaria um ano a mais no deserto. E por 40 anos toda a geração que saiu do Egito morreu na sequidão. Somente seus filhos puderam entrar na terra prometida.
Um detalhe muito importante nessa história é esquecido: a estratégia de enviar espias não foi propriamente de Deus, mas do povo, com a aprovação de Moisés:
Vejam, o Senhor, o seu Deus, põe diante de vocês esta terra. Entrem na terra e tomem posse dela, conforme o Senhor, o Deus dos seus antepassados, lhes disse. Não tenham medo nem se desanimem. Vocês todos vieram dizer-me: Mandemos alguns homens à nossa frente em missão de reconhecimento da região, para que nos indiquem por qual caminho subiremos e a quais cidades iremos. A sugestão pareceu-me boa; por isso escolhi doze de vocês, um homem de cada tribo (Deuteronômio 1.21-23 NVI).
Há uma aparente divergência entre esse texto e Números 13. Não quero me ater ao debate, nem propor aqui um aprofundado estudo a respeito. Tomemos o comentário de Barnes:
O plano de enviar os espiões se originou com o povo, e como pareceu razoável, foi aprovado por Moisés, foi submetido a Deus, sancionado por Ele, e realizado sob orientação divina especial. O objetivo do orador neste capítulo [de Deuteronômio] é trazer ao povo enfaticamente suas responsabilidades e comportamento. Por isso, é importante lembrá-los que o envio dos espiões, que os levou imediatamente às suas queixas e rebeldia, era de sua própria sugestão.
Em síntese: Deus ordenou "Entrem na terra e tomem posse dela". O que os homens fizeram? "Estratégias". E Deus permitiu, por um tempo, que fizessem conforme desejaram. Perceba no texto o desvio: os caminhos a percorrer e as cidades a invadir seriam determinadas pelo reconhecimento dos representantes do povo, e não mais do direcionamento de Deus.
Assim é com grande parte da igreja hoje: envolvida até o pescoço em estratégias, programas, agendas, atividades... O povo não pode parar, os líderes precisam dar conta, os pastores devem promover campanhas e resoluções "em nome do Senhor" para que a igreja avance, cresça, multiplique, conquiste! Os ministérios bons são aqueles que sempre apresentam novidades: CDs, DVDs, sites, livros, camisetas, produtos que evidenciem "como aquela igreja é boa", mesmo que paguem o preço de servirem sem a aprovação de Deus (Ele permite que seja assim - por um tempo, diga-se) e corram o risco de morrerem no deserto (figura de um tempo de sequidão, de dores, de andar em círculos, de se estar perdido).
É cada vez maior o número de crentes extenuados com a igreja, de famílias de crentes desgovernadas e quebradas, de líderes cansados e esgotados, de pastores frustrados porque poucos o acompanham em seus planos. E ainda ocorrem abusos, como usar da autoridade pastoral ou do cargo de liderança para impor sobre as ovelhas e os liderados uma série de normas e procedimentos, que atendem à instituição e às determinações "de cima" mas que estão distantes da boa, agradável e perfeita vontade de Deus para a igreja e para os crentes individualmente.
Diz a Bíblia sobre Calebe: "o meu servo Calebe tem outro espírito e me segue com integridade" (Números 14.24 NVI). "Ele verá [a terra], e eu darei a ele e a seus descendentes a terra em que pisou, pois seguiu o Senhor de todo o coração" (Deuteronômio 1.36 NVI).
Estas palavras concordam plenamente com o que Jesus disse: "Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará" (João 12.26 NVI).
A "cultura evangélica" parece inverter as coisas: querem que o Mestre os siga e abençoe suas estratégias para conquistarem as cidades, as nações e o mundo; querem a honra do Pai pelos seus serviços, porém são esforços inúteis, com motivações erradas e ideais estranhos ao querer de Deus, ou pelo menos diferentes do que Ele, de fato, designou.
"Pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele" (Filipenses 2.13 NVI).
O Senhor promove em nós uma disposição nova para servirmos no Reino em Sua força e em Sua estratégia. Quem quer é Ele. Quem realiza é Ele. Desta forma não há peso, não há frustração. Desta forma o Reino avança com integridade e eficácia. A igreja, portanto, experimenta a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Repense as estratégias que você tem empreendido em sua vida e ministério. Tem produzido vida, alegria e justiça ou estão gerando morte, peso e condenação? Considere a possibilidade de estar fora da posição que o Mestre quer. Considere que tanto esforço e trabalho podem ser em vão, por não significarem exatamente o que Ele deseja. Pense seriamente nisso.
Que Deus nos leve a viver conforme Filipenses 2.13.
...
Marcadores: reflexões pessoais, vontade de Deus
postado por Luciano Motta | 22 outubro 2010 11:54 |

Vivendo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus
Luciano Motta
{ Este texto é mais um testemunho pessoal do que propriamente um artigo. Mantive algumas digressões. A escrita tem muito do meu coração. Estou muito feliz e agradecido a Deus por tudo o que Ele tem feito. A Ele seja a glória e o louvor! As passagens bíblicas que cito vieram à minha mente à medida que ia teclando e são coerentes ao meu ver com o cerne desse tema. Que você seja edificado e se alegre comigo! }
Os últimos dois meses tem sido muito tremendos para mim e para minha família. Temos experimentado avanços em áreas que estavam um tanto emperradas. Uma coisa já aprendemos e testificamos: quando nos posicionamos no centro da vontade de Deus, tudo em nossa vida se torna bom, perfeito e agradável - mesmo as circunstâncias mais difíceis (até minha esposa escreveu a respeito disso, e a gente não combinou nada!)
Temos aprendido que é realmente possível permanecer em paz e descanso mesmo naqueles momentos de "tempestade". Isso era algo distante para mim. Hoje não. Ainda não durmo profundamente no barco, como Jesus, mas já não me encontro agitado e perturbado como antes.
Aliás, há algo que perturba e desvia da vontade de Deus: a amargura.
"Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos" (Hebreus 12.14-15 NVI).
Veja como o autor da epístola aos Hebreus posiciona "paz com todos e santidade" em oposição a "amargura e perturbação". A falta de perdão e a falta de amor para com o outro excluem da graça de Deus. A amargura perturba quando enraizada na alma e ainda contamina outros corações. Quando alguém está amargo, o comportamento das pessoas ao redor muda. O abraço torna-se mecanizado; o carinho, formal; os cumprimentos, burocráticos. Essas coisas privam, excluem da graça de Deus e desviam da Sua vontade. A Palavra nos exorta a escolhermos o caminho da conciliação, da paz, mesmo que às vezes recebamos desprezo e indiferença.
Outro fator importante que nos afasta ou nos aproxima de Deus: O que estamos buscando?
As igrejas evangélicas no Brasil, principalmente as chamadas neopentecostais, tem sido bastante enfáticas em relação a bênção, a vitória, a prosperidade (esta quase sempre associada ao aspecto financeiro). As músicas, o teor das pregações, o enfoque dos cultos congregacionais e o modo como os crentes percebem ao Evangelho, tudo tem se voltado para "a bênção" - um ícone evangélico atualmente mais recorrido que a cruz.
Mas a vontade de Deus é que busquemos o Abençoador, ou seja, Ele mesmo. Certamente isso evitaria muitos problemas na igreja e nos relacionamentos entre os crentes. Porque "a bênção" tal qual é definida e perseguida hoje tornou-se um ídolo, algo muito mais ligado ao espírito deste mundo, de estar por cima dos outros, de obter riquezas financeiras, de ter uma imagem positiva para a sociedade ainda que por dentro a vida esteja arrebentada.
"De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: 'Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes'. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração. Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza. Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará. Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz. Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?" (Tiago 4.1-12 NVI)
Precisamos reconhecer que há algo errado nesse evangelho tão comumente encontrado nas igrejas: guerras, contendas, cobiças, invejas, amizade com o mundo, julgamento do irmão, falar mal do outro... Tudo porque o foco está errado.
O que se busca? Quais são as motivações? Temos uma igreja que aproxima as pessoas de Deus, de uma espiritualidade sadia, ou que produz crentes adequados a doutrinas, usos e costumes de uma instituição, de uma denominação, de uma visão?
Infelizmente, quando alguém não consegue mais viver nos moldes estabelecidos, é lançado fora. Às vezes é tratado pior do que um inimigo de Deus. Os "amigos" da igreja são na verdade "amigos dos eventos" da igreja. Saem os eventos, acaba-se a amizade. E aí se instauram as guerras, as contendas... Retoma-se o ciclo de amargura e perturbação, que exclui da graça de Deus.
Quando vivemos pela paz e não em contendas, deixamos de falar mal dos outros. Quando nos submetemos ao Senhor, resistimos ao diabo e dominamos nossas paixões carnais na força do Espírito Santo. Quando nos humilhamos e buscamos o Pai, Ele nos exalta. Por esses posicionamentos alcançamos o tão desejado descanso. A vida adquire um novo sabor. As conversas são outras. As crises tornam-se oportunidades e não tormentos.
É um aprendizado constante, não posso negar. É um longo e continuado processo de amadurecimento. Às vezes é preciso parar tudo e recomeçar a caminhada.
O poema que escrevi abaixo é uma síntese desse meu momento de vida. Citando o que falei sobre Recomeços: "A questão não é recomeçar, é O QUE começar de novo". Pois eu e minha casa decidimos recomeçar do ponto mais seguro: a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Alvo
Prossigo para o alvo
não em busca de vitórias
mas de recordes.
Já sou mais do que vencedor.
Minha vocação
É marcar esta geração.
Prossigo para o alvo
não em busca de bênçãos
mas do Abençoador.
Tenho recebido tudo o que preciso[e muito mais]
enquanto experimento
Sua boa, agradável e perfeita vontade.
Leia também: Obedecendo aos impulsos
...
Marcadores: reflexões pessoais, testemunho, vontade de Deus
postado por Luciano Motta | 05 outubro 2010 08:40 |

Pilatos e Herodes
Luciano Motta
Lucas 23.12:
“Herodes e Pilatos, que até ali eram inimigos, naquele dia tornaram-se amigos”
Dia desses, enquanto fazia minha leitura diária da Bíblia, meus olhos se fixaram neste verso. Nunca tinha notado que Pilatos e Herodes se tornaram amigos justamente quando estavam decidindo pela condenação de Jesus à morte de cruz ou pela sua soltura.
E minha mente, direcionada pelo Espírito Santo, creio assim, me remeteu ao Salmo 1.1: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”.
Tanto este salmo quanto a passagem de Lucas tratam de opostos: o justo e o ímpio.
Pilatos e Herodes tinham Jesus em suas mãos – um homem justo, que não andava segundo o conselho dos ímpios, antes obedecia ao Pai em tudo (João 5.19). Jesus não se detinha no caminho dos pecadores, mas os exortava ao arrependimento, libertava os oprimidos, curava os doentes e ensinava a todos a respeito do Reino de Deus (Lucas 4.16-21). Jesus não se assentava na roda dos escarnecedores, porém comia com os humildes e pobres, abraçava os excluídos de seu tempo (Lucas 15.1-2). Obviamente Jesus deveria ser solto. Não havia Nele pecado algum.
Pilatos representa o julgamento carnal, a injustiça. Aquele que anda segundo o conselho dos ímpios. Nos quatro Evangelhos, Pilatos é retratado como alguém que reconhecia a integridade de Jesus e percebia a inveja dos principais sacerdotes pelo Mestre. Soltou o criminoso Barrabás para “contentar a multidão” incitada pelos líderes religiosos (Marcos 15.10-15). Pilatos cedeu ao clamor da injustiça ao invés de seguir seu próprio conselho a respeito do Filho de Deus (Lucas 23.22-25).
Herodes representa o deboche. Aquele que zomba, que escarnece. Aquele que despreza tudo o que diz respeito a Deus, que se detém no caminho dos pecadores. A fama de Jesus chegou até Herodes depois do tetrarca haver prendido e decapitado o profeta João Batista (Mateus 14.1-11). Desde então Herodes se esforçava para ver o Cristo (Lucas 9.7-9). Tal encontro aconteceu uma única vez, exatamente na primeira tentativa de Pilatos de se livrar de Jesus, ao enviá-lo até Herodes. Como o Mestre não lhe dirigiu uma palavra, resolveu escarnecer Dele, tratou-O com desprezo e fê-Lo vestir um manto espalhafatoso antes de devolvê-Lo a Pilatos (Lucas 23.6-11).
É nesse dia que Pilatos e Herodes se tornaram amigos. Algumas versões da Bíblia afirmam ter ocorrido uma “reconciliação” entre eles.
Ao tratarem Jesus com o pior que tinham em si mesmos, Pilatos e Herodes personificaram uma aliança maligna de oposição a Jesus. Entendo ser uma aliança que perdura até hoje em oposição a todo aquele que busca ter a vida de justiça e integridade de Jesus. Foram chamados de “cristãos” os primeiros discípulos, nos primeiros anos da igreja, por serem semelhantes a Cristo (Atos 11.26). E foram perseguidos – e muitos mortos – pelo mesmo motivo.
O capítulo 11 da carta aos Hebreus lista uma série de exemplos de fé do Antigo Testamento, pessoas marcantes que por perseverarem na prática da justiça passaram pela “prova de escárnios e açoites”, de prisões e aflições.
Certamente você e eu, que buscamos viver a vida de Jesus e morrer para nós mesmos, já passamos – ou estamos passando – por provas e oposições em nossa caminhada cristã. O Evangelho de Cristo é contrário ao espírito desse mundo, que promove a injustiça e escarnece daqueles que doam suas vidas e tomam cada um a sua cruz por amor a Jesus.
Diante de todas essas coisas, há algo muito precioso que não podemos perder de vista: “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em JESUS, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem se desanimem” (Hebreus 12.1-3 NVI).
Ainda que Pilatos e Herodes se levantem contra nós, maior é JESUS que está em nós! Diante do escárnio e da zombaria dos ímpios, quando sofrermos injustiças, às vezes de pessoas tão próximas, de quem não esperamos, não precisamos abrir a nossa boca, não precisamos provar quem somos para ninguém. Vamos manter nossos olhos fixos Nele, vamos manter nossos pensamentos Nele e em tudo o que Ele suportou e conquistou em nosso favor.
Diz o salmista sobre o justo: “sua satisfação está na Lei do Senhor, e nessa Lei [a Bíblia, a Palavra de Deus] medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!” (Salmo 1.2-3 NVI) Se somos justos, essas palavras testemunham das grandezas de Deus em nós. Como afirma o apóstolo Paulo: “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória. Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Romanos 8.17-18 NVI).
Vamos correr com perseverança e alegria a corrida que nos é proposta. JESUS é a nossa recompensa.
Em tempo: Creio ser legítimo e necessário que servos de Deus, crentes fiéis e zelosos, combatam e refutem doutrinas estranhas à Palavra. É verdade que tantas coisas tem surgido e aparecido com o nome de “igreja” enganando e afastando mais e mais pessoas do único caminho: Jesus. No entanto, preocupa-me o fato de muitos se valerem dos mesmos artifícios dos ímpios para exporem defeitos, erros e diferenças de outros crentes, ministérios e movimentos que se dizem cristãos. Deter-se no caminho dos pecadores e agir como um escarnecedor leva inevitavelmente à injustiça. Assim, em algum momento, poderão incorrer em precipitação, julgamento carnal, vaidade e vontade de aparecer na mídia, divisão e falta de amor para com outros irmãos na fé. Em outras palavras: estarão agindo exatamente como Pilatos e Herodes, gerando amizades que promovem a condenação do justo. Podem incorrer em pecado e sufocar o amor e a fé de outras pessoas em nome de sua religiosidade. Lembremos da Palavra: “A nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6.12 NVI).
...
Marcadores: reflexões pessoais
postado por Luciano Motta | 20 setembro 2010 00:42 |



