12 conselhos importantes para aqueles que desejam ser líderes na Casa de Deus


{ Extaído do livro “O testemunho” de Watchman Nee. São partes de uma carta escrita em 10/03/1950 durante o período de vinte anos em que permaneceu preso pelo Regime Comunista Chinês. Recebi hoje esse texto por email e compartilho agora aqui no blog, por sua simplicidade, clareza e objetividade. }

1 – Aprendam amar os outros, a pensar no bem deles, a ter cuidado por eles, a negar-se a si próprios por causa deles e a dar tudo que têm. Se alguém não consegue negar-se a si próprio em benefício dos outros, ser-lhe-á impossível conduzir alguém no caminho espiritual. Aprendam a dar aos outros o que você tem, ainda que se sinta como se nada tivesse. Então o Senhor começará a derramar-lhe a sua bênção.

2 – A força interior de um líder deveria ser equivalente a sua força exterior. Esforços em demasia, avanços desnecessários, inquietações, apertos, tensões, falta do transbordar, planos humanos e avanços na frente do Senhor, são todas as coisas que não devem ocorrer. Se alguém está cheio de abundância em seu interior, tudo o que emana dele é como fluir de corrtentes de águas, e não existem esforços demasiados de sua parte. É preciso ser de fato um homem espirirual, e não simplesmente se comportar como um.

3 – Ao fazer a obra de Deus aprenda a ouvir os outros. O ensinamento de Atos 15 consiste em ouvir, isto é, ouvir o ponto de vista de outros irmãos porque o Espírito Santo poderá falar em meio deles. Seja cuidadoso, pois ao recusar ouvir a voz dos irmãos, você poderá estar deixando de ouvir a voz do Espírito Santo. Todos aqueles envolvidos em liderança devem assentar-se para ouví-los. Dê a eles oportunidades ilimitadas de falar. Seja gentil, seja alguém quebrantado e esteja pronto para ouvir.

4 – O problema de muitos líderes é não estarem quebrantados. Pode ser que tenham ouvido muito a respeito de serem “quebrantados” porém não possuem revelação dessa verdade. Se alguém está quebrantado, não tentará chegar às suas próprias decisões no que toca a questões importantes ou aos ensinamentos. Não dirá que é capaz de compreender as pessoas ou de fazer coisas, não ousará tomar para si a autoridade ou impor a sua própria autoridade sobre os outros, nem aventurar-se-á a criticar os irmãos ou tratá-los com presunção. Um irmão quebrantado não tentará auto defender-se nem remoer-se por algo que ficou para trás.

5 – Não deve existir nas reuniões nenhuma tensão, tampouco na igreja. Com respeito às coisas da igreja aprenda a não fazer tudo de você mesmo. Distribua as tarefas entre os outros e os leve a aprender a usar suas próprias capacidades de executar. Em primeiro lugar, você deve expor-lhes resumidamente os princípios fundamentais a seguir e depois se certificar de que agiram de acordo. É um erro fazer você fazer muita coisa. Evite também aparecer demais na reunião, caso contrário os irmãos poderão ter a sensação de que você está fazendo tudo sozinho. Aprenda a ter confiança nos irmãos e a distribuir as tarefas entre eles.

6 – O Espírito de Deus não pode ser coagido na igreja. Você precisa ser submisso a Ele pois, caso contrário, quando Ele cessar de ungí-lo a igreja se sentirá cansada ou até mesmo enfadada. Se o meu espírito estiver forte em Deus, ele alcançará e tomará a audiência em dez minutos, se estiver fraco não adiantará gritar palavras estrondosas ou gastar um tempo mais longo, o que inclusive com certeza será prejudicial.

7 – Ao pregar uma mensagem, não a faça demasiadamente longa ou trabalhada, caso contrário o espírito dos santos sentir-se-á enfadado. Não inclua pensamentos superficiais ou afirmações rasteiras no conteúdo da mensagem; evite exemplos infantis, bem como raciocínios passíveis de serem considerados pelas pessoas como infantis. Aprenda concluir o ponto alto da mensagem dentro de um período de meia hora. Não imagine que, o fato de estar gostando de sua própria mensagem, significa que as suas palavras são necessariamente de Deus.

8 – Uma tentação com que frequentemente nos deparamos em uma reunião de oração é querer liberar uma mensagem ou falar por tempo demasiado. Uma reunião de oração deve ser consagrada a oração, muito falatório levará à sensação de sentir-se pesado, com o que a reunião se tornará um fracasso.

9 – Os obreiros precisam aprender muito, antes de assumirem uma posição onde tenham de lidar com problemas ou com pessoas. Com um aprendizado inadequado, um conhecimento insuficiente, um quebrantamento incompleto e um juízo não dígno de confiança, serão incompetentes para lidar com os outros. Não tire conclusões precipitadas, mesmo quando se está prestes a fazer algo. Deve-se fazer com temor e tremor. Nunca trate com leviandade as coisas espirituais. Podere-as no coração.

10 – Aprenda a não confiar unicamente em seus próprios juízos. Aquilo que consideras correto pode ser errado e aquilo que consideras errado pode ser correto. Se alguém está determinado a aprender com humildade, levará com certeza, alguns poucos anos para terminar de fazê-lo. Portanto, por enquanto, você não deve confiar demasiadamente em si mesmo ou estar muito seguro a respeito do seu modo de pensar.

11 – É perigoso para as pessas da igreja seguirem as suas decisões antes de você ter atingido o estado de maturidade. O Senhor operará em você para tratar seus pensamentos e para quebrantá-lo antes que você possa compreender a vontade de Deus e ser definitivamente “autoridade de Deus”. A autoridade se baseia no conhecimento da vontade de Deus. Onde não estiver sendo manifestado a vontade e o propósito de Deus, ali não há autoridade de Deus.

12 – A capacidade de um servo de Deus com certeza será expandida porém pelo mesmo Deus que o capacitou. Descanse em Deus, ame-o de todo o coração. Jesus disse “sem mim nada podeis fazer”. A autoridade necessária para o desempenho do ministério é fruto de nosso relacionamento. Nunca olhe para dentro de você mesmo pois isso poderia desanimá-lo, porém, jamais abra mão da:
- Intimidade com Deus, e,
- Conselho dos sábios que Deus colocou na igreja.

“Não fostes vós que me escolhestes, porém eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça afim de que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vos conceda” Jo 15.16.

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postado por Luciano Motta | 27 outubro 2010 18:38 |



Chamados para servir e não para reinar


Do blog do Ministério Deigma Marques

Em Juizes 9 temos a história de Jotão, filho de Gideão, que contou uma parábola para livrar seu pescoço da morte.

A história nos conta a respeito das árvores que queriam um rei, e então elas decidiram sair a procura desse rei e foram falar com a oliveira (árvore da azeitona).

Elas disseram:
- Oh! Oliveira, reine sobre nós.
- Eu! Reinar sobre vocês, e deixar de produzir meu azeite, que serve para Deus e os homens? De modo algum! - Respondeu.


Gostaria já de discorrer com você.

Não fomos chamados para reinar sobre ninguém, na verdade fomos chamados para servir as pessoas com a unção que Deus tem depositado em nossas vidas. Você é um depósito de azeite do Espírito, e esse azeite tem um propósito. O azeite era usado como alimento, para cura e para iluminação.

Esse é nosso chamado, ministrar Cristo, a luz do mundo, a cura para as nações, a cura para os casamentos, famílias.

Cada vez que você toca seu instrumento, canta, ministra numa reunião caseira, ou limpa a cadeira de sua igreja, você está desempenhando seu papel, SERVIR.
Continuemos na história:

Então as arvores foram falar com a figueira:
- Oh! Figueira, reine sobre nós!
- Eu! Deixar de produzir meu fruto doce e saboroso, que alimenta a Deus e os homens para reinar sobre vocês? De modo algum! - Responde a figueira.


Você precisa dar um fruto doce e saboroso! As pessoas precisam comer de Cristo em nós. Temos que ser fonte de alimento para as pessoas. Ninguém pode passar por nossa vida e continuar com fome, talvez ela não queira comer do nosso fruto, mas sempre encontrará alimento disponível.

Nosso ministério existe para matar a fome das pessoas, não de religião, mas de vida de Deus. Liberar a vida de Deus, o único alimento capaz de matar a fome da humanidade.

Vamos continuar?

Então as árvores foram falar com a videira, e disseram:
- Reine sobre nós!
- Eu reinar sobre vocês, e deixar de dar o meu saboroso vinho que alegra a Deus e os homens? De modo algum reinarei sobre vocês.


Mais uma vez encontramos outra figura que nos remete ao nosso verdadeiro chamado, trazer alegria, conforto e consolo para as pessoas.

Muitos de nós querem posições de destaque, ser o primeiro, mas Jesus disse que os governantes e os príncipes querem e gostam de autoridade, mas que no nosso meio não seria assim.

Quando você está tocando, cantando, ministrando, as pessoas se alegram? São confortadas pela presença de Deus, são alimentadas e animadas? Ou tudo não passa de uma apresentação? Não! Esse não é nosso chamado, e sim trazer resposta para as pessoas.

Quero terminar dizendo que depois as árvores foram falar com o espinheiro, e ele prontamente disse:

- Já que vocês querem, serei o rei de vocês, mas é o seguinte: quem sair de debaixo de minha sombra, sairá fogo do espinheiro e consumirá tudo.

Isso nos mostra um coração sedento por poder, por um lugar de destaque e que não aceita ninguém ser maior, ninguém sair de debaixo da sombra dele.

Não, queridos, esse não é o nosso lugar, e nem deve ser esse o nosso coração.

Devemos usar nossos talentos, dons e instrumentos para alimentar, curar e alegrar as vidas, e assim estaremos cumprindo nosso chamado.
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postado por Luciano Motta | 07 junho 2010 07:00 |



Pelo Espírito


Luciano Motta

Texto: Zacarias 4.1-7

Após o cativeiro de Israel na Babilônia, o templo de Jerusalém estava em ruínas. Deus então começa a “despertar o espírito” (Esdras 1.5) de alguns do povo para subirem e reconstruírem o templo. Neemias levanta-se para levantar os muros. Zorobabel e Josué levantam-se para reconstruir o templo e a cidade. Vamos nos ater a estes dois últimos.

Primeiro eles restauram o altar, reorganizando o ministério dos sacerdotes e dos levitas (Esdras 3). Depois lançam os alicerces e começam a reconstruir o templo. Diz a Bíblia que eles “iam edificando e prosperando sob a pregação do profeta Ageu, e de Zacarias” (Esdras 6.14). Apesar das muitas oposições e das lutas, o Senhor estava com eles e com o Seu povo. Ele se revelava através dos seus profetas.

O livro do profeta Zacarias registra oito visões de Deus endereçadas a Zorobabel e Josué – palavras de exortação e encorajamento diante das adversidades.

A 5ª visão do profeta é a de um castiçal de ouro e de um vaso de azeite posicionado em cima, com sete canudos descendo do vaso e alimentando as sete lâmpadas do castiçal (v.2). Além disso Zacarias vê duas oliveiras, uma à direita e outra à esquerda do castiçal (v.3).

O profeta pergunta então ao anjo que falava com ele: “O que é isto?” (v.4). Ele reconhece que não sabe (v.5). Essa é a atitude correta diante da visão de Deus. Ao invés de sairmos a fazer o que achamos que deve ser feito, precisamos parar e ponderar. Muitos entram em uma de se acharem conhecedores o suficiente das coisas de Deus, por já terem experiências anteriores, por já estarem desempenhando um serviço no Reino. E mesmo nos empreendimentos pessoais, tanta gente se põe a fazer e a acontecer sem antes se certificar se o caminho que seguiram é realmente o caminho direcionado pelo Senhor.

Precisamos de humildade em qualquer atividade. Precisamos reconhecer que não sabemos ou dominamos tudo. Dependemos de uma interpretação correta da visão que Deus nos deu, do nosso chamado, do que faremos em nosso ministério, do que Ele requer de nós em nosso serviço. “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4.6). O apóstolo Paulo escreveu aos efésios: “Oro também para que sejam iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibas qual seja a esperança da sua vocação” (Efésios 1.18). Deus nos dará sabedoria se a pedirmos a Ele (Tiago 1.5-6).

O anjo então começa a explicar ao profeta: “Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: não por força nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (v.6).

“Não por força” (hayil) – termo usado para a “força” dos carregadores em Neemias 4.10: “Desfalecem as forças dos carregadores, e os escombros são tantos que não podemos edificar o muro”. Esta era a queixa de Judá depois das confusões e perseguições de Sambalate, Tobias e de todos os opositores à reconstrução do muro.

“Nem por poder” (koah) – termo militar para “bravura”, proeza humana. Em algumas versões em português encontramos a palavra “violência”. Este termo remete ao “exército” de operários que Salomão tivera para a construção do primeiro templo (2 Crônicas 2.2).

“Mas pelo Meu Espírito” (rûah) – é o “sopro” do Senhor, o mesmo que deu vida ao homem no Gênesis, que abriu o Mar Vermelho no Êxodo e que reviveu o povo morto no vale de ossos secos diante do profeta Ezequiel.

Na obra de Deus, todos os nossos esforços próprios são inúteis, toda a proeza humana desfalece. Se o Senhor te deu uma visão, seja um projeto no Reino, em sua vida particular ou familiar, abrace-a com todas as suas forças, com fé! Busque o entendimento a respeito da visão. E não deixe de fazer a parte que lhe cabe!

Contudo, tenha isso muito claro em mente: se a visão é de Deus, se a obra é Dele, e se a sua vida pertence a Ele, então você depende totalmente do Seu sopro sobrenatural! É pelo Espírito que realizamos, é pelo Espírito que conquistamos, é pelo Espírito que vencemos os inimigos que se levantam contra nós! Essa é a atitude correta diante dos desafios e das oposições.

O anjo continua a explicar a visão: “Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma campina” (v.7). Não há obstáculo grande o suficiente que resista ao poder de Deus! Ele aplana a montanha à nossa frente quando confiamos Nele. O salmista afirmou: “Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados” (Salmo 84.5). Zorobabel trará a pedra angular, uma representação de Jesus, em meio a aclamações: “Graça, graça a ela” (v.7). Jesus é o fundamento de qualquer empreendimento. Ele é a Rocha que sustenta a casa no dia da enchente (Lucas 6.47-48).

Mais adiante, o anjo esclarece que as duas oliveiras representam os dois ungidos do Senhor (v.14), ou seja, o próprio Zorobabel e Josué, e no meio deles o castiçal e o vaso de azeite, símbolos da presença e da ação do Espírito de Deus.

O povo de Deus em Mispa – Em 1 Samuel 7.1-13 vemos que o povo suspirou pela presença do Senhor. A arca da aliança havia ficado muitos anos distante de Israel. Samuel então os conduziu até Mispa, uma cidade onde eram guardadas as armas. Ali adoraram a Deus (tiravam a água e a derramavam perante o Senhor, não tiravam água para si mesmos) e se arrependeram (jejuaram e reconheceram seu pecado). Os inimigos filisteus, ao tomarem conhecimento de que os israelitas estavam em Mispa, se levantaram contra o povo de Deus, que ficou tomado de medo. Samuel se colocou como intercessor e ainda enquanto sacrificava, Deus trovejou sobre os inimigos e estes foram derrotados. Uma pedra foi erguida e chamada de “Ebenézer”, que significa: “Até aqui nos ajudou o Senhor”.

Note as semelhanças: o povo em um ajuntamento de Deus, os inimigos se levantando em oposição, a humilhação diante do Senhor, a vitória pelo Espírito, uma pedra entre eles como marco da conquista. Encontramos diversas passagens na Bíblia que correspondem a esta sequência.

O povo de Deus em Éfeso – Em Apocalipse 2.1-7 vemos o alerta de Deus à igreja de Éfeso sobre o seu pecado: ter abandonado o primeiro amor. Era uma igreja de grandes qualidades e realizações, porém esvaziada do amor de Deus, como observa o Pr. Ebenézer Bittencourt (Instituto Haggai):

• Trabalho perseverante – sem amor = ativismo
• Disciplina dos homens maus – sem amor = legalismo
• Prova dos falsos apóstolos – sem amor = religiosidade
• Perseverante na tribulação – sem amor = masoquismo
• Ódio aos dominadores – sem amor = hipocrisia

Deus afirma que removeria o castiçal caso os cristãos de Éfeso não se arrependessem e voltassem ao primeiro amor, ou seja, a essência do Espírito Santo.

A presença e a ação do Espírito se manifestam na vida daqueles que se humilham e reconhecem que nada podem sem o Senhor. Ele não despreza um coração quebrantado, arrependido diante Dele. Essa é a chave. Nossas qualidades e realizações, quando baseadas apenas na proeza humana, tendem à morte, ainda que partam de uma visão do Senhor. Saul foi um rei que tinha a visão de Deus, mas não agia pelo Espírito, não obedecia ao que Ele havia determinado (1 Samuel 15.22-23).

Você é hoje como o povo em Mispa, como Zorobabel e Josué? Ou tem sido como o povo em Éfeso, cheio de boas intenções, pensando estar agindo pelo Espírito, porém pautado apenas por suas próprias habilidades e capacidades? Você é um ungido de Deus, uma oliveira junto ao castiçal e ao vaso de azeite? Ou tem sido uma figueira brava, infrutífera?

Qual é a visão de Deus para a sua vida? Você consegue entender com clareza essa visão? Ela tem sido uma realidade de conquistas ou um grande monte de confusão e conflitos?

Que o Senhor nos ajude a compreender e a viver essas verdades. Que nossos olhos se abram com entendimento e sabedoria para vermos as grandezas de Deus e os maravilhosos planos que Ele tem para nós! E tudo o que empreendermos pela revelação divina, que seja pelo Espírito!
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postado por Luciano Motta | 27 maio 2010 18:40 |

Um chamado à ação




Palestra de Harvey Carey no Global Leadership Summit 2009

Fonte: Willow Creek on Vimeo.
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postado por Luciano Motta | 29 março 2010 18:54 |



Babel, linguagem e unidade


Luciano Motta

Em Gênesis 11.1-9 encontramos a história bastante conhecida da torre de Babel. As Bíblias em geral dão este subtítulo à passagem. Mas o que vemos no texto é algo muito maior do que a simples construção de uma torre.

A Bíblia fala de um povo em peregrinação que acha uma planície desabitada (v.2). Voltam-se então uns para os outros e planejam algo grande. É de se destacar a criatividade daquele povo: ao invés de construírem com os materiais de costume, pedras e cal (um tipo de massa), fazem tijolos e utilizam betume/piche (v.3). Eles idealizaram uma obra sólida, a partir de um modo aperfeiçoado de construir. Aquele povo parecia estar à frente do seu tempo.

Depois, disseram: vamos edificar para nós uma cidade e uma torre que toque os céus, e façamos para nós um nome para que não sejamos espalhados (v.4). Aquele povo começa a construir o que seria para a época uma cidade incomparável, edificada de maneira revolucionária, com um grandioso e inigualável marco: uma torre tão alta, que permitiria ao homem alcançar o céu, um lugar sequer imaginado. Certamente a fama daquelas pessoas correria por todo o mundo. Todos viriam para ver tão impressionante obra e provavelmente seriam inspirados a fazerem o mesmo em outras localidades.

Além da criatividade e da capacidade empreendedora, aquele povo era unido e falava a mesma língua. O Senhor os observou e disse: isso é só o começo, depois não haverá restrições para tudo o que intentarem fazer (v.6). Eram pessoas focadas em um só objetivo. Eram pessoas com uma comunicação fluente. Não perdiam tempo com outras ocupações, nem com debates infrutíferos e estranhos ao que estavam propostos a fazer.

Mas havia um problema grave aos olhos de Deus: aquele projeto, embora muito bem idealizado e executado, era do homem, para a glória do homem. A motivação máxima daquelas pessoas era a exaltação própria, era provar que poderiam realizar grandes coisas sem Deus. Aquela cidade, aquela torre, aquele desejo por estabelecer um nome, foram uma afronta para o Senhor. E Ele os confundiu em sua língua e os espalhou. A construção parou. E a fama que ficou foi: a cidade da confusão. Babel em hebraico soa parecido com a palavra que quer dizer “atrapalhar”.

Pois nesse ponto o Espírito Santo acendeu o meu coração e me guiou para outra leitura desta história: E se fosse diferente? O que aconteceria se o projeto não fosse do homem, para a glória do homem, mas de Deus, para a glória de Deus?

Então me atentei para o fato de estarmos realizando uma grande obra para Deus. Ele nos escolheu: 1-para edificarmos um Reino em lugar de uma cidade; 2- para marcarmos esta geração com grandes sinais e maravilhas em vez de uma torre; e 3- para levantarmos o Nome que é sobre todo nome: JESUS. O projeto é Dele, com as estratégias e as ferramentas criadas e inspiradas por Ele, para a glória do Seu Nome.

Em contrapartida, Satanás copia e repete as mesmas estratégias que Deus usou para espalhar e confundir o povo de Babel. Ele ataca com força a linguagem e a unidade justamente para espalhar e confundir o povo de Deus.

Desde a antiguidade, passando pela idade média e os tempos modernos, até hoje, uma das principais armas de dominação e conquista é a língua. O Império Romano alcançou dimensões tão impressionantes porque cada povoado e cidade invadidos sofriam a imposição do latim. Os dialetos locais desapareceram ou foram agregados pela língua oficial romana (o que gerou posteriormente o francês, o espanhol, o português, etc.). Com os gregos, contudo, ocorreu o oposto: por serem de uma sociedade mais antiga e mais desenvolvida, sua língua foi preservada e assim influenciaram os romanos. Por isso o mundo ocidental tem como base a cultura greco-romana. Na colonização do Brasil, o tupi-guarani foi praticamente extinto pelos portugueses. Só temos índios porque criamos reservas para eles viverem. E apesar de tão extenso território, é a língua portuguesa que faz do Brasil uma nação unificada.

Muda-se a língua, muda-se a cultura, a maneira de pensar e se viver em sociedade. Há um poder tremendo na linguagem para agregar e aproximar as pessoas, para unir pensamentos e ideias.

A primeira coisa que destrói projetos é a linguagem atrapalhada. O apóstolo Paulo em Filipenses 2.2 diz que devemos ter o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, o mesmo ânimo, e reforça novamente: “pensando a mesma coisa”. Mais à frente, no verso 14, diz: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas”. Pensar a mesma coisa é resultado de muitas conversas, de muito diálogo, de muito sonhar junto, de muito comer à mesa junto, de muito planejar junto.

Já dizia Salomão: “Não havendo sábia direção o povo cai, mas na multidão de conselheiros há segurança” (Provérbios 11.14), e também: “Onde não há conselho frustram-se os projetos, mas com a multidão de conselheiros eles se estabelecem” (Provérbios 15.22). Aquele povo, antes de ser Babel, dialogou entre si, chegou a um consenso quanto ao modo de construir. Eles fizeram as bases juntos antes de colocarem o primeiro tijolo. Um líder deve direcionar, mas não fará nada sem que todos na equipe estejam falando e pensando a mesma coisa. Deus nos mostra o caminho, mas sem nos comunicarmos corretamente com Ele, sem comunhão, oração e intimidade com Ele, jamais conseguiremos nos alinhar à Sua vontade. Erra-se o alvo.

A murmuração enfraquece a unidade, gera desânimo. A falta de sabedoria na hora de expor ideias produz dores desnecessárias. A falta de submissão gera desconfiança, partidarismo, sufoca o diálogo. Todas estas coisas são como chagas que matam qualquer projeto. Palavras indevidas contra alguém, como brincadeiras impróprias e a exposição de fraquezas, retardam ou mesmo paralisam a obra, porque ferem, desgastam, inibem o potencial criativo e o vigor empreendedor. Quando Davi pergunta a um dos servos de Saul a respeito de um possível herdeiro do antigo rei de Israel, ouve o seguinte: “Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés” (2 Samuel 9.3). Aquele servo não citou o nome daquele a quem servia, Mefibosete, porém apontou o seu defeito físico. Há pessoas que vivem falando sobre o defeito dos outros. Servem e falam mal, trabalham e falam mal. Vão minando as forças dos líderes e da equipe com constantes maledicências e fofocas. Vão usando estas ferramentas do diabo para destruir projetos e vidas.

Em segundo lugar, a unidade atrapalhada acaba com qualquer possibilidade de êxito. Jesus disse: “Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e a casa dividida contra si mesma cairá” (Lucas 11.17). Antes da descida do Espírito Santo, os discípulos estavam juntos no cenáculo, onde perseveravam “unanimemente” em oração e súplicas (Atos 1.13-14). Cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam “todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2.1).

Vale ressaltar que os apóstolos receberam o Espírito Santo e começaram a falar em línguas diferentes, porém a linguagem do Espírito era a mesma. Não há confusão quando se está em unidade, mesmo falando coisas diferentes. Efésios 4.4-6 diz: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos”.

O que mantém uma casa de pé são os fundamentos. O que preserva a unidade no Reino são os valores fundamentais do Evangelho: amar a Deus, amar ao próximo, considerar os outros superiores a nós mesmos, servir as pessoas, praticar a religião segundo a Palavra, que é “visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1.27). Todas estas coisas são aperfeiçoadas em nós no tanto que nos aproximamos do Pai e nos submetemos a Ele, em obediência e temor. E é impossível ser próximo de Deus e não começar a ser como Ele é. A maneira ousada de Pedro e João em anunciar o Evangelho fez com que os fariseus reconhecessem que “eles haviam estado com Jesus” (Atos 4.13). Os apóstolos tinham a mesma linguagem e o mesmo comportamento de Jesus.

O povo de Babel preferiu tijolos a pedras. Mas o Reino de Deus é construído por pedras vivas. E é bem difícil encaixar essas pedras e torná-las um bloco consistente e conjunto. Essas pedras tem vontades próprias, personalidades, temperamentos. São pedras colocadas umas sobre as outras. Às vezes dói se encaixar com determinado irmão, ou estar debaixo. Ao invés de cal ou piche, é o óleo do Espírito que nos encharca e suaviza os contatos, os atritos. O mundo conhece e crê em Jesus pela unidade da igreja (João 17).

O ministério que você desempenha, a célula que você dirige, a igreja que você pastoreia, dentre tantas outras áreas e vocações, se são de Deus e para a glória de Deus, então são obras tremendas que estão em andamento. Tenha zelo pela unidade, pela perfeita comunicação, cuide de sua língua – é uma arma poderosa para amaldiçoar e espalhar ou para unir e abençoar! (Tiago 3.10)

Seja alguém que irá marcar esta geração! Realize grandes coisas para que o nome de Jesus seja exaltado! Amém.

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postado por Luciano Motta | 28 janeiro 2010 16:22 |



Para ministros do altar...


Luciano Motta

Faz algumas semanas eu estava orando em casa, confessando ao Senhor os meus pecados, clamando por graça e misericórdia... Naquela semana eu ainda não tinha lido nada da Palavra, tampouco dedicado tempo de qualidade para orar. Naqueles dias eu estava mergulhado em meus estudos, em meus afazeres, em meu trabalho. Ou seja: em mim mesmo. Muito pouco para um ministro de Deus. Muito pouco para a responsabilidade e o privilégio de alguém no altar, que lidera a igreja no louvor e na adoração, que lidera uma equipe promissora de músicos, dançarinas e pessoas ligadas ao som e à imagem. Muito pouco para os sonhos que o próprio Deus tem colocado em nosso coração.

Eu estava ali orando... Então, o Senhor falou comigo. E me disse assim:

"Até quando continuarei usando a sua vida com base apenas na graça e na misericórdia? Eu quero te usar também com unção e autoridade!"

Acho que fiquei mudo por alguns minutos. E chorei. Um choro de vergonha na cara. Um choro para rever as minhas prioridades, para tirar os olhos de mim mesmo e das minhas necessidades e vontades próprias.

Dali me levantei diferente. Continuo a falhar, continuo dependente da graça e da misericórdia de Deus. Mas a minha postura mudou. As minhas prioridades de então mudaram. A busca, o desejo pela presença e pela glória de Deus passaram a ser de novo o motor que impulsiona a minha vida e me dá forças para resistir nos dias maus, para enfrentar as lutas e adversidades que se levantam, para ministrar com unção e autoridade diante da igreja, para fazer o melhor e assim sempre ter algo de Deus a oferecer no altar.

E você, ministro de Deus? O que você tem a oferecer hoje? O que te sustenta hoje no altar: sua musicalidade, suas habilidades, sua voz, seu carisma? Ok, você pode e deve ser excelente no que faz, mas se apenas estas coisas te sustentam, cuidado! O Senhor tem muito zelo pela Sua igreja. Ele não está em busca de performance, mas de verdadeiros adoradores, intercessores, profetas, que sejam vasos de honra em Suas mãos, profundos conhecedores da Palavra, tremendos em unção, poderosos na autoridade do Espírito, não apenas tendo Sua graça e misericórdia como muletas.

Ministro do altar, deixe as muletas! Caminhe. Corra. Voe. Ministre na unção e na autoridade do Espírito Santo. Aperfeiçoe suas habilidades. Estude. Cresça e amadureça. É tempo de romper!

"Até quando continuarei usando a sua vida com base apenas na graça e na misericórdia? Eu quero te usar também com unção e autoridade!"


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postado por Luciano Motta | 01 agosto 2009 23:33 |