Marcas de uma aliança


Luciano Motta

Faz oito meses que estamos sem os anéis de aliança. Calma, calma, não nos divorciamos! Muito pelo contrário: minha esposa e eu nos amamos muito, somos casados há mais de 11 anos, temos dois filhos maravilhosos, enfim, somos uma família feliz e abençoada por Deus.

Mas por que então a falta das alianças?

Explico: No ano passado, resolvemos abençoar um casal de ministros em visita à nossa igreja. Como não tínhamos dinheiro, decidimos juntos ofertar os nossos anéis de aliança para eles. Foi a primeira vez que ofertamos dessa maneira e não nos arrependemos. Aliás, temos sido muito abençoados na área financeira neste ano e creditamos parte dessa provisão de Deus à maneira como temos sido mais abertos e generosos em ofertar. Como diz a Palavra: “o que semeia com fartura, com fartura também ceifará” (2 Coríntios 9.6).

Desde aquele dia, então, ainda não pudemos comprar outro par de alianças. Porém, pela nossa contabilidade, temos certeza que esse momento está bem próximo. O que mais tem nos surpreendido nesses oito meses é o sentimento de ausência. Como faz falta esse pequeno anel de ouro no dedo!

Pois na semana passada olhei para meu anelar esquerdo e, qual foi a minha surpresa, a marca desapareceu por completo! Parecia que nunca havia usado uma aliança antes e por tanto tempo. Naquele mesmo instante, Deus me fez refletir que qualquer aliança produz marcas em nós, seja na família ou no casamento, nos negócios ou entre amigos. Uma vez que é retirada a aliança, estas marcas tendem a desaparecer, e brota em nosso coração esse sentimento de ausência, de falta, de incompletude.

Poderia discorrer aqui sobre as muitas marcas que uma aliança produz, mas vamos nos ater de forma breve a pelo menos três delas:

Marca do pertencimento: Eu sou de alguém. Eu tenho alguém. A falta dessa marca diz para os outros que estamos disponíveis. Começam então a aparecer novas propostas, novas possibilidades de relacionamentos. Tentações e seduções diversas trabalham arduamente para destruírem qualquer aliança. A fidelidade e o compromisso que temos para com o outro são um poderoso e imbatível escudo diante desses ataques.

Marca da cobertura: Eu tenho um lugar de descanso em alguém. Eu sou um lugar de descanso para alguém. São as pessoas com quem temos aliança que abrem o guarda-chuva quando nossas mãos estão ocupadas e estamos no meio da rua na hora exata do temporal. No aperto e na dificuldade, ora somos abrigo, ora somos abrigados. Essa marca põe à prova se uma aliança é verdadeira ou não.

Marca da perseverança: Eu não desisto de alguém. Alguém não desiste de mim. O “sim” no altar, a parceria nos negócios, a amizade que nasce, se há uma aliança envolvida, então é para durar, e durar para sempre! É bem mais que um contrato, um acordo formal, um aperto de mãos ou uma troca de anéis. É uma relação que prioriza o outro. Assim, por mais que as coisas não estejam bem, ou que passem por turbulências, jamais abriremos mão da aliança que firmamos. Vamos lutar por ela com todas as nossas forças. Uma aliança se acaba quando uma das partes rompe, quando desiste de continuar a caminhada e superar as adversidades.

Em nosso relacionamento com Deus também existe uma aliança. Em toda a Bíblia observamos a constante presença das marcas de pertencimento, cobertura e perseverança, e também outras, como fidelidade, amor, companheirismo... O próprio Deus é Autor e Fonte de todas elas:

“O meu Amado é meu, e eu sou Dele” (Cantares 2.16).

“Tu és o lugar em que me escondo; Tu me preservas da angústia, e me cinges de alegres cantos de livramento” (Salmo 32.7).

“Para com o fiel te mostras fiel; para com o íntegro te mostras íntegro” (2 Samuel 22.26).


Deus estabeleceu uma marca visível, como o par de anéis que os noivos trocam no altar, para que todos possam ver e reconhecer que existe uma aliança entre Ele e a humanidade:

“E disse Deus: Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, por gerações perpétuas: O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver uma aliança em mim e a terra” (Gênesis 9.12-13).

Toda aliança possui marcas visíveis.

Você tem carregado essas marcas em sua vida? Tem se sentido incompleto ou desabrigado mesmo em família ou entre amigos? Tem se deixado seduzir por outras coisas?

Talvez você precise estabelecer uma verdadeira aliança. Eu te convido hoje a primeiro firmar uma aliança real com Deus. Abra o seu coração para Ele. Peça perdão pelo tempo que ficou afastado Dele. Ore assim:
“Deus, eu sou Teu. Eu descanso em Ti. Tu és a minha cobertura, a minha salvação. Perdoa meus pecados. Ajuda-me nas minhas fraquezas. Transforma meus relacionamentos, meu casamento. Entra na minha vida. Em nome de Jesus. Amém”.

Depois, faça a sua parte: conserte o que se quebrou, volte à caminhada de onde parou, peça perdão a quem você pecou pela falta de fidelidade e compromisso. Creia que Deus irá restaurar todas as coisas. Não será algo instantâneo, ou mágico, mas Deus te dará força nesse processo e em breve você desfrutará do que é viver uma verdadeira aliança.

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postado por Luciano Motta | 31 julho 2009 21:30 |

Posted by Hello

Casamento: Aliança de Amor

 

Luciano Motta

Voltando de um casamento recentemente, ainda com o gosto dos docinhos e salgadinhos, ainda com a alegria da festa, dos noivos, da cerimônia... Fiquei a pensar no seguinte: Como deve ser para um ministro a preparação de uma palavra aos noivos? O que dizer em um momento como esses?

Há pastores e ministros diversos que “dão um sermão” nos noivos, no pior sentido desta expressão (graças a Deus não foi o caso do casamento que me levou a esta reflexão). Ora, o casal já está no altar, já entenderam que estão na vontade de Deus, são adultos, são servos de Deus... Não cabe ficar falando um monte de coisas, do que devem ou não devem fazer! O aconselhamento aos noivos deve ser antes da cerimônia.

Posso estar enganado, mas muitos pastores e ministros usam esta tática do sermão para aproveitarem a platéia composta de gente que precisa, sim, de correção. Mas uma cerimônia de casamento não é o melhor lugar para isso. Ah, a sabedoria... Como precisamos dela!

Quando cheguei em casa, ainda refletindo nisso, comecei a pensar na criação do mundo, em como Deus uniu Adão e Eva, constituindo, assim, o casamento e a família. O pecado corrompeu o coração dos homens e os levou a tal distanciamento do Criador, a tal nível de maldade, que Deus quis destruí-los. Diz a Palavra que o Senhor se arrependeu de haver feito o homem sobre a terra e isso lhe pesou no coração (Gênesis 6.5-6).

Num estalo, percebi como isso tem a ver com a união entre homem e mulher. O casamento é o princípio, o Gênesis do casal. A família recém formada ainda não foi tocada pelas circunstâncias da vida a dois. Com o tempo, ocorrem discussões, desentendimentos, atritos. Nada anormal, afinal, somos falhos, imperfeitos, carentes de Deus. Fora do comum é um casamento onde os momentos ruins são mais constantes do que os momentos bons.

Portanto, antes que chegue a este ponto, ou mesmo que já exista esta tensão no relacionamento, vem o pesar no coração e um pensamento arrependido: “Eu não deveria ter me casado!” Bem semelhante ao que Deus sentiu sobre sua criação.

Em outro momento, vemos novamente o Senhor prestes a destruir o Seu povo, por estarem se inclinando em adoração a um bezerro de ouro (Êxodo 32.7-10). Como este, existem muitos outros episódios na história em que o homem esteve em grandes trevas. Vivemos hoje em um tempo de grande pecado na sociedade.

Então, o que impediu (e impede) Deus de destruir o ser humano? Da mesma forma, o que pode impedir um casamento de se acabar?

Antes de responder, uma observação: “Deus se arrepender” não é muito fácil para o nosso entendimento. Aliás, este é um sentimento bem humano, não cogitado por nós como possível na esfera divina. A própria Bíblia diz que Deus não é filho do homem para que se arrependa (Números 23.19). Como pode ser isso?

Creio que, em um nível diferente do nosso, o Pai tem os seus sentimentos “abalados” quando algo está acontecendo com seus filhos. Diz a Palavra que quem toca em nós toca na menina dos olhos de Deus (Zacarias 2.8). Não importa o que aconteça, seja bom ou ruim, sejam circunstâncias exteriores ou interiores, Deus se importa, e muito, com o que estamos passando, a ponto de levá-lo a se regozijar ou a se irar. Isto é fato comprovado nas Escrituras. Podemos ver este cuidado de Deus em nosso dia a dia.

O Pai se importa porque ama. É por causa do Seu grande amor que não somos consumidos. Suas misericórdias não têm fim (Lamentações 3.22). É por isso que ainda existimos sobre a terra. É por isso que um casamento permanece até o fim da vida.

No meio de toda a maldade daqueles dias antes do dilúvio, Deus viu um homem justo: Noé (Gênesis 6.8). Deus ouviu a intercessão de Moisés por Israel e não consumiu o povo (Êxodo 32.11-14). Em cada momento de distanciamento da humanidade, homens justos fizeram a diferença. Com estes, Deus fez aliança. É como se Ele dissesse: “O Meu amor por vocês é grande demais. Não posso destruir homens e mulheres que andam na Minha presença e que, apesar de suas limitações, buscam viver à Minha imagem e semelhança, conforme os criei”.

É este mesmo amor que leva um homem e uma mulher à decisão de passarem o resto da vida juntos. Este amor é a base que impede a queda e a destruição do casamento nos tempos de crise e dificuldade.

Há uma declaração tremenda que o Senhor fez, que demonstra o quanto Ele ama Seu povo: “Quando Israel era menino, Eu o amei, e do Egito chamei a meu filho. Mas quanto mais Eu os chamava, tanto mais se iam da minha face (...) O meu povo é inclinado a desviar-se de Mim (...) Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? (...) Está comovido em Mim o Meu coração, todas as Minhas compaixões à uma se acendem. Não executarei o furor da Minha ira” (Oséias 11.1-2,7-9). Estas palavras foram ditas pelo Senhor, contudo, mais parecem palavras de alguém em crise, que já fez de tudo, que está a ponto de desistir de seu relacionamento, mas que ainda reluta devido ao grande amor que bate no seu peito.

Este amor, porém, não impede a justiça. Mesmo depois de dizer estas palavras através do profeta Oséias, Deus não impediu que o povo fosse levado cativo à Babilônia. Só que lá no cativeiro, homens justos se levantaram, intercederam pelo povo e Deus ouviu suas orações. Mais tarde, foram trazidos de volta à terra, debaixo de nova aliança – é o amor em ação novamente.

Jesus é o símbolo da Nova Aliança (1 Coríntios 11.25) deste tempo da graça em que vivemos. Nossas dívidas (pecados) de hoje são pagas pelo sacrifício de Cristo na cruz. Nossas vidas são limpas pelo sangue do Cordeiro. O poder do amor vence o poder do pecado!

O casamento é a aliança entre um homem e uma mulher. Os momentos ruins são superados pelo poder do amor de Deus na vida do casal. Então, como Deus renovou Sua aliança com os homens, porque ouviu as orações e viu neles arrependimento e justiça, assim a aliança do casamento é renovada. O diálogo aproxima, o perdão une e o amor consolida.

Quando vierem aqueles momentos ruins, ao invés de se deixar levar pelo pensamento “Eu não deveria ter me casado!”, lembre-se que o amor de Deus está em você e só por meio dele será possível trilhar o caminho da unidade e da alegria. Lembre-se que este amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13.7). Lembre-se de fazer a sua parte, de agir com justiça em primeiro lugar consigo mesmo antes de requerer qualquer coisa do outro. Renove a aliança que você fez com seu amado(a) diante de Deus e viva um novo tempo, um novo Gênesis em seu casamento.

P.S: Deus realmente lê pensamentos e me deu (creio eu) esta boa palavra para se dizer em uma cerimônia de casamento. Agora só me resta esperar quem será o corajoso que vai me convidar a realizar uma cerimônia algum dia.

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postado por Luciano Motta | 02 julho 2005 15:10 |